Germano Rorato - Agência RBS/AE
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Sócio da boate Kiss que estava foragido se apresenta à Delegacia de Santa Maria

Outros três suspeitos de ter responsabilidade no incêndio que matou 231 pessoas também foram presos, incluindo dois músicos e outro sócio da casa noturna

Diego Zanchetta, O Estado de São Paulo

28 de janeiro de 2013 | 10h22

Texto atualizado às 16h18 

SANTA MARIA - Mauro Londero Hoffmann, um dos sócios da boate Kiss e único dos quatro suspeitos pelo incêndio na casa noturna que estava desaparecido, compareceu nesta segunda-feira, 28, à Delegacia Regional de Santa Maria. Ele está entre os investigados pela polícia como responsáveis pela tragédia que matou 231 pessoas na madrugada de domingo, 27.

O delegado titular da 3ª DPR de Santa Maria, Marcelo Arigony, afirmou que um dos sócios da boate Kiss, Elissandro Stohr, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos (vocalista) e Luciano Bonilha (carregador de instrumentos) foram detidos na manhã desta segunda-feira,28. Bonilha teria soltado o efeito pirotécnico conhecido como Sputnik.

Os três detidos estavam fora de Santa Maria por medo de linchamento. Dois foram presos na cidade de Mata, a pouco mais de 80 quilômetros de Santa Maria. O terceiro preso estava em Cruz Alta, a 132 quilômetros da cidade onde ocorreu o incêndio.

Arigony afirmou que a prisão temporária das três pessoas é de caráter cautelar e serve para contribuir para a apuração dos fatos. “Se elas forem as responsáveis, elas serão punidas. Esses presos são presos para a investigação”.

Entenda. O incêndio com mais mortes nos últimos 50 anos no Brasil causou comoção nacional e grande repercussão internacional. Em poucos minutos, mais de 230 pessoas - na maioria jovens - morreram na boate Kiss de Santa Maria - cidade universitária de 261 mil habitantes na região central do Rio Grande do Sul. Outras 127 ficaram feridas.

A tragédia começou às 2h30 de domingo (27/01), quando um músico acendeu um sinalizador para dar início ao show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira. No momento, cerca de 2 mil pessoas acompanhavam a festa organizada por estudantes do primeiro ano das faculdades de Tecnologia de Alimentos, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Uma fagulha atingiu o sistema de exaustão da casa noturna e o fogo se alastrou rapidamente pelo teto com papelão e material de proteção acústica. A maioria das vítimas, porém, não foi atingida pelas chamas - 90% morreram asfixiadas.

Uma série de erros potencializou a tragédia. Sem porta de emergência nem sinalização, muitas pessoas em pânico e no escuro não conseguiram achar a única saída existente na boate. Com a fumaça, várias morreram perto do banheiro. Para piorar, seguranças da casa tentaram impedir alguns frequentadores de sair antes de pagar a comanda. Na rua estreita, o escoamento do público foi difícil. Bombeiros e voluntários quebraram as paredes externas da boate para aumentar a passagem. Mas, ao tentarem entrar, tiveram de abrir caminho no meio dos corpos para chegar às pessoas que ainda estavam agonizando. Muitos celulares tocavam ao mesmo tempo- eram pais e amigos em busca de informações.

Como o Instituto Médico-Legal não comportava, os corpos foram levados a um ginásio da cidade, onde parentes desesperados passaram o dia fazendo reconhecimento. Lá também foi realizado o velório coletivo.

Ao longo do dia, centenas de manifestações de solidariedade lembraram a tragédia em todo o País. Emocionada, a presidente Dilma Rousseff chorou duas vezes ao falar do caso - ainda no Chile, de manhã, onde deixou um encontro com presidentes, e à tarde, ao lado do governador Tarso Genro, já em Santa Maria.

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