Sócio de Abadía é ''achado'' na prisão

Depois de cumprir nove meses de pena em São Paulo como um preso comum, nascido em Borda da Mata (MG), o mexicano Carlos Ruiz Santamaría, o El Negro, foi identificado somente anteontem pela polícia paulista. Preso como Manoel Oliveira Ortiz, de 41 anos, ele era na verdade um dos traficantes mais procurados pela Justiça da Espanha, de onde fugiu há sete anos, após sua quadrilha ser flagrada com 13 toneladas de cocaína, de acordo com a Interpol.Flagrado com uma quantidade pequena de ecstasy na capital paulista, Santamaría era o responsável por toda a cotação do quilo de cocaína comercializada no continente europeu. Também causou o maior escândalo da história do Judiciário espanhol - sua libertação por "problemas de saúde", numa audiência que durou 20 minutos, motivou a suspensão de três juízes da chamada Audiência Nacional pela Suprema Corte daquela país.A Interpol aponta o mexicano ainda como um dos sócios do colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía, supertraficante condenado pela Justiça Federal a 30 anos de prisão e extraditado para os Estados Unidos em 2008 - cujo tesoureiro e alguns dos principais comparsas também foram presos ontem (mais informações na página C3). Questionado pelos investigadores, Santamaría apenas informou ser "conhecido" de Abadía. O acusado, segundo a polícia, também é apontado como o representante dos cartéis colombianos - Cali, Bogotá e La Costa - na Europa. Era considerado pela polícia internacional como um dos foragidos mais perigosos do mundo.Mas sua prisão só saiu porque um mineiro com sotaque castelhano chamou a atenção de um delegado durante o interrogatório. El Negro, que perdeu 50 quilos na cadeia (pesava 120 quilos ao ser detido) comentou que tinha um "niño"- filho em espanhol. Ele estava recolhido desde maio do ano passado no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros (CDP 2), na zona oeste, depois de ter sido flagrado carregando 60 comprimidos de ecstasy. De acordo com a polícia, na data do flagrante, El Negro teria dito a seu advogado que preferia falar somente em juízo. Por isso, sua voz não foi ouvida por nenhum investigador que acompanhava a ocorrência. Já dentro do CDP, ninguém teria relacionado que o preso mineiro não conseguia falar o português.Genivaldo da Silva, advogado de El Negro disse que também foi "pego de surpresa". "Eu não sabia que ele não era mineiro. Para mim ele tinha sido criado em outro país. Acho que vou renunciar ao caso, pois também fui traído."No Brasil desde 2001, El Negro abriu várias empresas - que se suspeita estejam ligadas à lavagem de dinheiro do narcotráfico internacional. As ligações com Abadía ainda precisam ser investigadas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.