Sócio de ''bunker'' vê tom eleitoral nas denúncias

Sócio-gerente do escritório Trajano & Silva Advogados e principal defensor na Justiça Eleitoral da candidata do PT à Presidência da República, Márcio Silva reconhece que seu escritório foi colocado no "olho do furação" nas denúncias em que é citado como local onde eram acertados contratos com empresas públicas, cujo êxito dependeria do pagamento de propina para saldar compromissos políticos.

Rosa Costa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

Ele nega as acusações, afirma não ter relação com o esquema que seria operacionalizado por Israel Guerra, filho da ex-ministra Erenice Guerra, e atribui a "conotações eleitoral" o fato de ter o nome envolvido no escândalo relacionado ao governo federal. "Não tenho nenhuma relação pessoal com o senhor Israel Guerra, nunca participei de conversas com seus clientes e desafio qualquer empresário a admitir que esteve comigo intermediando interesse junto ao governo federal", diz o advogado.

As coincidências, porém, pesam contra o escritório, favorecido em setembro de 2009 por um contrato sem licitação, autorizado pela consultora jurídica da Empresa de Pesquisa Energética, Maria Euriza Alves Carvalho, irmã de Erenice. Também foi nas dependências do escritório que Israel e o ex-servidor da Casa Civil Vinicius Castro se reuniam com clientes interessados nas transações. Dois deles confirmaram que estiveram lá: Fábio Baracat, no negócio para ampliar a participação de suas empresas nos Correios, e Rubnei Quícoli, que disse ter se recusado a pagar a propina para obter liberação de um empréstimo do BNDES.

Congresso. Sociedade formada por cinco advogados, a Trajano & Silva fica em uma das torres do mesmo shopping onde ficava o Banco Rural, por onde transitava o dinheiro que sustentava o esquema do Mensalão do PT no Congresso.

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