Sociólogo compara caso ao do mensalão

Para ele, Schoedl foi beneficiado pelo corporativismo, como políticos

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2030 | 00h00

Promotores defendem promotores. Juízes defendem juízes, advogados defendem advogados, médicos protegem médicos, jornalistas ajudam jornalistas. Quando o simples coleguismo e amizade acabam virando demagogia e corporativismo, quem fatalmente sai perdendo é a própria sociedade. A opinião é dividida por sociólogos e cientistas políticos ouvidos pelo Estado, que afirmam que o lobby de diversas categorias só aumenta a permissividade nas instituições, a contemporização e a sensação de mesmice."Não é só o promotor que lava a mão do outro. É só lembrar do mensalão na Câmara, onde um monte de corruptos foi inocentado, ou nas tantas vezes em que os conselhos de ética de Medicina absolveram seus pares, indo contra todas as provas", diz Aldo Fornazieri, mestre em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo (USP) e diretor acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp). "A linha entre a amizade e a proteção é muito tênue e extremamente fácil de ser cruzada, mesmo sem querer. A conseqüência é um enfraquecimento da democracia e uma corrupção das instituições. A nossa Justiça é tendenciosa, a lei vale para os fracos, mas sempre protege os fortes."O caso do promotor Thales Ferri Schoedl é só um entre tantos. Segundo a socióloga e pesquisadora Fátima Pacheco Jordão, o corporativismo está tão arraigado na cultura brasileira que muitas vezes passa despercebido. "Faz parte dos nossos processos políticos e profissionais", diz. "Todas as categorias criam suas entidades de classe para se protegerem. Ainda sou otimista, as coisas estão mudando aos poucos, as instituições democráticas estão se fortalecendo. Atos como esse acabam criando uma sensação de impunidade, o que gera a revolta das pessoas. A sociedade precisa ser mais atuante para que essas proteções não aconteçam." Os especialistas lembram que a proteção acaba virando abuso por culpa da própria opinião pública - muitas vezes silenciosa e pouco atuante. "É uma questão muito difícil, pois a sociedade precisa julgar esses tipos de procedimento, mas no fim das contas ela tem pouco poder para mudar a situação", diz o cientista político Leôncio Martins Rodrigues. Professor aposentado da USP e da Unicamp, ele começou a estudar o movimento sindical e os partidos políticos há mais de 40 anos. "Cria-se um problema de desvios e transgressões sem ninguém para julgar. É muito difícil enfrentar essas corporações, até porque elas são elitistas. São pessoas que muitas vezes representam grupos dominantes."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.