Sócios da Vicatur preparam defesa para caso dossiê

Os sócios da Vicatur Câmbio e Turismo têm duas teses de defesa para a acusação de que usaram "laranjas" para darem saída nos US$ 248 mil encontrados com os petistas que os usariam na compra de um dossiê contra os tucanos. Segundo Jorge Ribas Soares, pai de Fernando Manoel, principal sócio da loja de câmbio, a polícia não tem como garantir que as notas apreendidas no Hotel Ibis de São Paulo são as mesmas que saíram da corretora em Nova Iguaçu. Quanto aos "laranjas", ele diz que uma perícia grafotécnica dirá se as assinaturas nos boletos de venda do dinheiro são ou não dos familiares de Levy Luiz da Silva - família da qual faz parte Sirley da Silva Chaves, a outra sócia da empresa.Português de nascença, ex-jornalista, Jorge Ribas é advogado mas não atuará na defesa do filho Fernando Manoel, como fez com o seu primogênito, Jorge Ribas Soares Júnior. Este, que atualmente mora em Portugal, respondeu a três processos , inclusive um ligado ao caso PC Farias, e foi condenado em dois: contra o sistema financeiro e por estelionato. Durante a entrevista ao Estado, mostrou-se tranqüilo e disse que toda esta questão "é política, por causa da eleição". Com relação às notas apreendidas, ele questiona como comprovar se são as mesmas que saíram da Vicatur. "As séries das notas de dólares não são anotadas nem pelas corretoras (que as adquiriram do banco Sofisa e repassaram para lojas de câmbio), nem pelas agências que as revendem ao público. Ninguém anota estes números", diz. Com isto, segundo ele, não há como garantir que o dinheiro é o mesmo. Laços de famíliaJá com relação à família de Levy Luiz da Silva que negou ter comprado os dólares, ele contra-argumenta com os boletos que as corretoras são obrigadas a preencher quando vendem dinheiro estrangeiro e que foram apreendidos. "Eles são assinados por quem comprou. Uma perícia dirá se as assinaturas são deles".Ribas Soares não entrou em detalhes sobre os depoimentos do filho Fernando, de sua sócia (prestados na quarta-feira) e dos dois funcionários da Vicatur, ouvidos nesta quinta-feira pela manhã pelo delegado federal Diógenes Curado. "O inquérito está em segredo e eu assinei como testemunha". Adiantou, porém, que o vínculo familiar de Sirley com Levy foi esclarecido: "Ela explicou tudo. Agora, o delegado vai analisar e ver o que entende da questão", concluiu.

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