Sogro de juiz morto diz que genro recebeu várias ameaças

Desde a morte de seu marido, o juiz-corregedor Antônio José Machado Dias, a também juíza Cristina Esher não se alimenta - toma apenas água - e dorme apenas quando é vencida pelo cansaço. Ela também se recusa a receber a visita de um médico e já voltou ao local do crime uma vez, sozinha. Ficou na calçada, chorando. "Ela quer viver essa dor", disse nesta terça-feira seu pai, o comerciante Geraldo Esher, de 52 anos.O casal morava junto havia dois anos e aguardava ahomologação do divórcio de Machado para oficializar a união.Para Esher, seu genro já estava na mira dos assassinos, pois havia recebido cartas ameaçadoras, e sua casa tinha sido alvo de dois atentados. Segundo o comerciante, um mês antes docrime, dois homens tentaram tirar a cerca elétrica do imóvel."Era madrugada e estavam em uma Saveiro. Acho até que um deles levou um choque." Há 15 dias, outra ameaça. "Jogaram um tijolo dentro de casa."Esher relatou uma ameaça que o juiz teria sofrido de um preso, há um ano, e outra carta que teria recebido. Esher desconfia que os dois assassinos estiveram em sua padaria.A família diz que não conta com proteção. "A PMprometeu segurança 24 horas, mas isso não ocorre. À noite, um carro da polícia vem, mas quando tem ocorrência vai embora."De acordo com o comerciante, sua filha fica amaior parte do tempo no quarto, recebe poucas visitas e não consegue aceitar a morte do juiz. "Hoje, entrei em casa aomeio-dia, que era o horário que ele costumava chegava do fórum,e ela falou: ´Pai, achava que fosse ele´."Nesta segunda-feira, em entrevista à Globo, Cristina disse que nãovai "baixar a cabeça" e espera que a morte de seu marido "não seja em vão". "Só tinha ouvido isso na Itália, uma ação dessas contra o Estado. Foi (um crime) contra o meu amor, meu companheiro, mas foi contra o Estado.A juíza citou a insegurança que o caso suscita entre os magistrados, mas pediu que todos sejam fortes. "Nós não podemos perder essa coragem", afirmou. "Se eu tiver de morrer, voumorrer, mas não vou baixar minha cabeça."

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