Soldado era ''parteiro'' da PM

?Rei do Parto? completou ontem 22 anos na polícia

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

08 de novembro de 2008 | 00h00

O soldado Ailton Tadeu Lamas, morto ontem durante perseguição à quadrilha de assaltantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), era considerado o maior "parteiro" da Polícia Militar. Aos 44 anos, metade deles dedicados à corporação, o soldado ostentava até o ano passado 14 partos em seu currículo. "Por uma dessas ironias da vida, ele completava hoje (ontem) 22 anos de polícia", comentou um soldado que trabalhava com Lamas. "Foi uma tarde terrível para todos nós."Com passagens por diversas unidades da PM, Lamas estava lotado no 43º Batalhão da capital desde a fundação, em dezembro de 2005. Em uma longa entrevista ao portal de notícias do governo do Estado, o soldado contou que o primeiro parto da carreira foi feito em 1988. Acionado para socorrer uma grávida com contrações, teve de ajudar a mulher a dar à luz. Apesar de ter acompanhado mais de uma dezena de partos, os plantões o impediram de ver o nascimento dos dois filhos. O mais velho até nasceu em outubro de 1988, mesmo ano em que ajudou pela primeira vez num trabalho de parto.Os constantes chamados para socorrer mulheres grávidas renderam a Lamas o apelido de "Rei do Parto" e "Soldado Parteiro". Chegou a receber da corporação uma bolsa completa de primeiros socorros, que guardava em seu armário. Tinha o hábito de, diariamente, durante cerca de 20 minutos, conferir se cada um dos itens utilizados nesse tipo de ocorrência estava em ordem. "Era um ótimo policial, amigo de todo mundo aqui dentro e no bairro", relembra o colega de batalhão.Na mesma entrevista, o soldado Lamas disse que uma das experiências profissionais mais delicadas de sua carreira foi em meio a um parto de emergência, ao ver apenas um ombro do bebê do lado de fora. Por meio das técnicas aprendidas no Centro de Formação de Soldados, conseguiu realizar o parto com sucesso. Tinha o sonho de ver uma criança nascer dentro de sua viatura. "É uma realização profissional que ainda não tive. Será um prazer", declarou, em setembro do ano passado.Lamas deverá ser sepultado hoje no Mausoléu da PM, no Cemitério do Araçá, na região central da capital. Até a noite de ontem, o horário do enterro ainda não havia sido oficialmente definido pela corporação.

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