Soldado escapou por pouco de atentado

No Dia da Criança, três meses após ser jurado de morte, o carro do soldado Augusto (nome fictício) foi cercado. A perícia apontou 20 tiros no veículo. Por sorte e pelo colete à prova de balas pendurado no encosto do banco, ele saiu ileso. "Não posso mais esperar nada da PM, preciso pensar em preservar minha vida e família", disse o PM, que avisou superiores sobre a ameaça, pediu transferência e não foi atendido. No fim de semana passado, saiu de São Paulo, deixando o imóvel, cuja última prestação acabara de pagar. O PM contou que, no dia do atentado, saiu às 20 horas para comprar remédio para a mulher, grávida de sete meses. Sua filha de 6 anos queria acompanhá-lo, mas ficou com a mãe. Na volta, foi cercado por homens armados em uma estrada de terra. O PM ouviu um barulho na porta. Eram as primeiras balas. "Poucos metros à frente, vi um vulto com espingarda nas mãos. A bala varou o pára-brisas e tinha endereço certo - minha cabeça. Mas ela quebrou parte do espelho que fica no meio do vidro e se perdeu." Os outros tiros pararam no colete, na lataria e perfuraram vidros. Mesmo atordoado, Augusto acelerou. Andou 50 metros, saiu da pista e foi parar no matagal. O PM desceu, ergueu a arma e descarregou a munição. Os criminosos fugiram. "Por causa disso, minha mulher teve complicações na gestação e meu filho nasceu prematuro, cinco dias após o ataque."

, O Estadao de S.Paulo

22 de dezembro de 2008 | 00h00

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