Soldado morre com tiro dentro do quartel no Rio

O soldado Rosemberg Leôncio Correia, de 19 anos, foi morto com um tiro de fuzil dentro do 25º Batalhão Logístico do Exército (B-Log), em Marechal Hermes, na zona norte, onde servia, na noite de ontem. O rapaz foi baleado por outro militar, o soldado Rodrigo Silvério Dantas, de 19 anos, que está detido no quartel. O pai de Rosemberg, o caseiro Benício Correia Dias, pensa em responsabilizar judicialmente o Exército pela morte do filho.De acordo com a versão oficial, Rosemberg foi baleado na troca de plantão. O rapaz estava na guarita e seria substituído por um colega. Um acidente teria causado o disparo. A família não acreditou na explicação que recebeu. "Como pode um soldado treinado deixar sua arma destravada?", indagou o pai. "Isso foi coisa de uma pessoa desequilibrada, que agiu com covardia, e mirou bem no meio da cabeça do meu filho".O suposto acidente teria acontecido às 19h, mas Dias só foi avisado à 0h30, quando militares o procuraram na sua casa. "Levei um susto quando eles tocaram a campainha. Pensei logo no pior", disse o caseiro. "Eles insistiam quer era só um acidente. Não contaram a verdade". Dias disse ter estranhado que o local em que o filho caçula foi morto tenha sido desfeito antes de a perícia chegar. O corpo do rapaz foi levado para o Hospital Central do Exército (HCE).Benício tentou registrar o caso na 33ª Delegacia de Polícia (Realengo), mas não foi possível. Rosemberg foi morto em instituição militar, e o episódio só pode ser analisado pela Justiça Militar. O setor de relações públicas do Comando Militar do Leste informou que foi aberto Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso e todas as informações são sigilosas. O resultado do IPM fica pronto em 30 dias. Rosemberg chegou de Rondônia há cinco anos. A princípio, segundo a família, não gostou da idéia de servir o Exército. Mas acabou acostumando-se e, de acordo com parentes, ganhou a simpatia dos superiores por causa do comportamento correto. O mesmo não aconteceu em relação aos companheiros de caserna. "Ele era um rapaz do interior, não bebia, não fumava, não entrava em farra. Os colegas não gostavam disso, debochavam dele", contou a prima Luciano Coelho de Oliveira, de 19 anos.Dias concorda com a sobrinha. "Eu tinha receio dele lá dentro. Ele se dava bem com todo mundo, mas não se misturava. Quartel não é bom para gente normal. Ele provocou ciúme e inveja dos colegas, porque era querido pelos comandantes", disse o caseiro, muito emocionado. O enterro do soldado está previsto para ocorrer às 17h, no Cemitério Jardim da Saudade de Sulacap. A família espera a chegada da mãe de Rosemberg, Ana Maria Leôncio Correia, que mora em São Paulo, para confirmar o horário do enterro.

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