Gabriela Biló/ Estadao
Gabriela Biló/ Estadao

Solo cede e arrasta ao menos quatro carros em rua de Brasília

Trabalhadores de um prédio vizinho disseram que vão abandonar o edifício com medo de novo deslizamento

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2019 | 18h47

BRASÍLIA - O muro de contenção um canteiro de obras cedeu nesta terça-feira, dia 10, abriu um buraco no solo e arrastou quatro carros que estavam estacionados em uma quadra da Asa Sul de Brasília. Não houve vítimas, de acordo com o Corpo de Bombeiros.

A terra desabou por uma extensão de 25 metros por volta das 15h30 da tarde. Os carros caíram barranco abaixo de uma altura de 10 metros. Eles ficaram tombados de lado e com as rodas para cima. A queda do muro abriu um buraco no asfalto onde os carros estavam parados, rente ao terreno da obra. 

"Fui deixar minha esposa em uma consulta, estacionei e quando voltei o carro estava lá embaixo", disse o advogado Alisson Santiago, de 27 anos, dono do Hyundai Sonata tombado. "O importante é a vida, né? Eu poderia ter ficado dentro do carro esperando o fim da consulta. Você nunca imagina, mas está sujeito a isso."

A movimentação da terra também tragou material de construção, como pedaços de madeira, chapas de ferro que cercavam o terreno, tubulações, maquinário, placas de sinalização e uma caixa d’água. Os operários que trabalhavam no local haviam parado de trabalhar e se abrigado por causa da forte chuva e por isso escaparam.

O muro de arrimo havia sido erguido para a construção de um novo centro clínico na quadra 709/909 do Setor de Edifícios Públicos Sul (SEPS). A obra ainda estava na fase inicial, de fundações.  

A Polícia Militar isolou o trânsito na região, pelo risco de que o asfalto tenha sido afetado nas vias ao redor do terreno. Dos dois prédios comerciais vizinhos, que chegaram a tremer com o tombamento e foram esvaziados, pelo menos um deverá ficar interditado por tempo indeterminado, por ser mais próximo do muro de arrimo da obra e ter estrutura de vidro. O outro foi liberado.

Os funcionários de escritórios ao lado relataram que chovia forte no momento do acidente e que o ruído do desmoronamento se assemelhou ao de um trovão. Eles divulgaram nas redes sociais imagens do local e deixaram o prédio com medo que de a estrutura tivesse sido afetada.

Após o acidente, os bombeiros militares e os engenheiros da Defesa Civil não identificaram irregularidades na obra da Construtora e Incorporadora D&B. Um homem que acompanhava os bombeiros dentro do terreno e afirmou ser o proprietário da construção não quis se identificar nem se pronunciar.

O engenheiro Carlos Medeiros, diretor da Embre Engenharia Geotécnica, empresa responsável pela fundação, lamentou o acidente e se colocou à disposição dos donos dos carros. “Houve uma ruptura de rede de águas e isso impactou, carregou a estrutura de contenção”, afirmou Medeiros.

Segundo os bombeiros, a hipótese mais provável é mesmo que o acidente tenha sido provocado por uma tubulação rompida. A queda do muro e do solo deixou à mostra uma galeria de águas pluviais vazando. Ela passava próximo ao muro de contenção da obra. A pancada de chuva que caiu sobre a cidade também pode ter influenciado na infiltração do solo, explicou o tenente dos bombeiros Walmor Oliveira.

“É uma hipótese de que a parede encharcou e com isso o peso que ela suporta foi excedido. Em decorrência disso, a parede cedeu e gerou o arrasto de quatro veículos”, disse o oficial dos bombeiros.

 

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