Solo encharcado em SC pode demorar 6 meses para estabilizar

Na região do Vale do Itajaí, choveu o equivalente a mil litros de água por metro quadrado, recorde histórico

Júlio Castro, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2008 | 20h15

O terreno que recebeu o maior recorde de chuva, o equivalente a mil litros de água por metro quadrado no mês de novembro vai demorar pelo menos seis meses para se estabilizar. Enquanto isso, o solo permanecerá instável e sujeito a novos deslizamentos devido ao maior ciclo de chuva que já caiu sobre a região do Vale do Itajaí, a mais atingida pela enchente em Santa Catarina, onde oficialmente 117 pessoas morreram - 98% vítimas de deslizamentos.   Veja também: Trabalhos na encosta impedem liberação de BR Saiba como ajudar as vítimas das chuvas  4,5 mil seguem sem energia no Estado Saúde SC notifica 62 suspeitas de leptospirose Mais de 30 mil voltam para casa em SC TBG retoma obras de reparo do gasoduto IML divulga lista de vítimas identificadas Repórteres relatam deslizamento em Ilhota  Mulher fala da perda de parentes em SC Tragédia em Santa Catarina  Blog: envie seu relato sobre as chuvas  Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Tudo sobre as vítimas das chuvas      Estas ocorrências foram decorrentes do saturamento de água numa parte do subsolo, ou seja, na camada argilosa, conforme relata Luiz Fernando Scheib, coordenador do laboratório de análises ambientais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).   Normalmente a água chega neste nível e flui para um nível inferior em condições normais de chuva. Com a intensidade pluviométrica, ouve um encharcamento generalizado da camada argilosa diminuindo a capacidade de absorção. "A intensidade da chuva foi tão grande que esta camada chegou no limite de sua liquidez. Deixou se exercer um papel predominante no processo de absorção", disse o geólogo.   Conforme Scheib, um novo planejamento de ocupação terá que ser executado considerando, entre os fatores, as anomalias e transformações contraídas pelo solo decorrentes dos milhares de deslizamentos. "Seria vital que os governantes levassem em consideração estas transformações. A geologia nestes terrenos sofreu muitas transformações", alerta. Ele cita como exemplo o município de Blumenau. Na parte sul da cidade, o solo, segundo análise geológica, é formado por uma seqüência de sedimentos vulcânicos e grande parte por material argiloso e arenoso, com maior possibilidade de erosão e sujeito a deslizamentos.   Não há registro de um novembro tão chuvoso nas regiões da Grande Florianópolis, Vale do Itajaí e litoral norte como observado em 2008, quando diversos recordes históricos foram quebrados. Em Blumenau e Joinville, os totais do mês ficaram em torno de 1.000 milímetros, para uma média climatológica mensal de aproximadamente 150 milímetros. O registro é da estação meteorológica da Epagri/FURB localizada em Blumenau, registrou do dia 1º até o dia 30 um total de 1.002 milímetros, sendo que o recorde anterior obtido nesta estação era de 167,2 milímetros, e pela estação da Agência Nacional de Águas (ANA) era de 281,8 milímetros, registrados em 2006 e 1961, respectivamente.

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