Solto policial acusado de matar jovem em boate no Rio

Daniela Duque, mãe da vítima, ficou indignada com a libertação do PM Marcos Parreira do Carmo

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2008 | 17h53

O juiz Sidney Rosa da Silva, do 3.º Tribunal do Júri do Rio, mandou libertar nesta segunda-feira, 14, o policial militar Marcos Parreira do Carmo, preso sob acusação de ter assassinado o estudante Daniel Duque, de 18 anos, numa briga em frente à boate Baronetti, em Ipanema. A decisão foi tomada depois do interrogatório do PM, que fazia a segurança de Pedro Velasco, filho da promotora Márcia Velasco, na noite da morte do estudante.   Veja também: Manifestantes pedem justiça por jovem morto em boate Filho de promotora do Rio diz que segurança foi agredido   "A prisão em flagrante pode ocorrer em quatro hipóteses dentro da Lei Processual Penal. Dos autos se tem que a prisão do réu não se deu em nenhuma delas. Observe-se que o fato ocorreu por volta das 5h, e o ato de prisão somente foi lavrado à noite. Desta forma, a prisão do réu é inteiramente ilegal", escreveu.   O juiz explicou ainda por que não concedeu a prisão preventiva: "Para a prisão cautelar ser concedida, mister se faz a indicação de fatos concretos de que o réu ou indiciado, em liberdade, poderá frustrar de forma ilícita a atividade jurisdicional. O réu é primário, não possui maus antecedentes, tem residência fixa, emprego estável, não havendo, portanto, motivos a ensejar a custódia cautelar", ressaltou o magistrado.   A mãe de Daniel Duque, Daniela Duque, ficou indignada com a libertação do policial. "Nossas leis são muito ultrapassadas. Quando você vê um assassino confesso sendo solto, quase desanima. Mas isso não vai mudar em nada o processo. Tenho certeza que esse policial vai ficar livre agora, mas passará os próximos 20 anos na prisão", afirmou.   Durante o interrogatório, Carmo contou que chegou à boate às 3h30, com Pedro Velasco e mais três pessoas, entre elas o jogador Diguinho, do Botafogo. De acordo com o PM, quando se preparavam para deixar o local, às 5h20, um casal de amigos de Pedro pediu ajuda. Eles estariam sendo perseguidos por um grupo de 10 a 12 pessoas.   O PM, então, teria gritado para que todos entrassem no carro e, para afugentar o grupo, fez dois disparos para o alto. Segundo Carmo, os rapazes do grupo estavam com "ódio extremo". O policial disse ainda que, ao olhar para trás para verificar se Pedro já se encontrava no interior do veículo, Daniel teria se aproximado e segurado sua arma. O PM afirmou que, nesse momento, a pistola disparou.   Atualizada às 19h15

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