Soltos pai e avô que teriam mandado assassinar jovem

TJ-SP concedeu habeas corpus a Nicolau e Renato Archilla; ?tenho medo porque estão livres?, diz vítima

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

22 Outubro 2008 | 00h00

Por 2 votos a 1, desembargadores da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo aceitaram um pedido de habeas corpus feito pela defesa de Nicolau Archilla Galan, de 81 anos, e de seu filho, Renato Garembeck Archilla, de 49. Eles são acusados de mandar matar a publicitária Renata Guimarães Archilla, de 29, filha de Galan e neta de Archilla. O motivo teria sido impedir que Renata tivesse acesso à herança da família. O pai da publicitária ficou preso por 70 dias enquanto o avô cumpriu prisão domiciliar em função da idade e por estar com câncer. Três liminares anteriores em habeas corpus foram negadas. "Fiquei muito triste e tive uma crise de choro. Mas tenho certeza de que a justiça será feita. Eles venceram apenas uma batalha. Eu venci várias batalhas e vou ganhar a guerra porque estou com a verdade", diz Renata. Em dezembro de 2001, um homem vestido de Papai Noel tentou matá-la a tiros, quando ela estava parada com seu carro em um cruzamento no Morumbi, zona sul. O falso Papai Noel foi identificado como o policial militar José Benedito da Silva e foi condenado a 13 anos e 4 meses de prisão. No carro do policial, uma agenda foi encontrada com o telefone da fazenda de Galan, que fica em Sorocaba. Ele teria sido o executor do crime a mando de Galan e Archilla. "O objetivo era que o crime parecesse um assalto. Mas o policial começou a rondar a casa de Renata e um vizinho anotou a placa do carro", diz o assitente de acusação Marcial Hollanda. De acordo com ele, o policial militar morava em Sorocaba e era comum que os Archillas contratassem policiais para fazer a segurança da propriedade. Ele acredita que os réus sejam pronunciados em novembro e levados a júri popular no ano que vem. Para o advogado de Galan e Archilla, Gustavo Eid Bianchi Prates, "a decisão do tribunal foi coerente porque não há vínculo entre os réus e o policial". Filha única Renato Archilla e Iara Chinaglia Guimarães, mãe de Renata, namoraram por um ano e meio. Como Galan não aceitava o relacionamento, o jovem casal decidiu ter um filho e assim conquistar a confiança do pai de Archilla. Iara teve uma menina, mas Archilla terminou o relacionamento. Renata só foi reconhecida como filha aos 14 anos, quando ganhou o sobrenome do pai após exame de DNA. Dois anos depois, sua mãe faleceu de câncer. "Nunca consegui conversar pessoalmente com meu pai. Tivemos apenas três encontros: quando fiz o exame de paternidade, na minha emancipação e uma vez que fui até a casa dele mas não fui recebida", diz. Por causa dos três tiros no rosto, Renata perdeu todos os dentes da arcada superior e fez oito cirurgias em seis anos. "Fico com medo porque eles estão soltos", diz. Por causa disso, ela se mudou para Santa Catarina, onde retomou a profissão há um ano. Hoje ela é casada e tem um filho de 5 anos. Seu pai, Archilla, se casou há três anos e Renata é sua filha única. "Antes do atentado, meu único interesse era conhecer meu pai e conversar com ele. Hoje não quero nenhuma aproximação. Não tenho ódio, só uma tristeza profunda", diz.

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