Soltos três militares acusados de matar jovens da Providência

Para juiz Marcelo Granado, os libertados não tiveram envolvimento ativo nas ações que culminaram na morte

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2008 | 20h51

O juiz Marcello Ferreira Granado, titular da 7.ª Vara Federal Criminal, revogou a prisão preventiva de três dos 11 militares acusados de terem entregue três moradores do Morro da Providência a traficantes do Morro da Mineira. Ele determinou, na noite desta quarta-feira, 9, a expedição de alvará de soltura para o cabo Samuel de Souza Oliveira, o sargento Bruno Eduardo de Fátima e o soldado Eduardo Pereira de Oliveira. Em sua decisão, Granado escreveu que levou em consideração que o episódio que culminou com a morte dos rapazes teve três momentos. O primeiro foi a detenção no Morro da Providência, por desacato. Em seguida, a apresentação dos jovens na base militar, quando um capitão ordenou que eles fossem libertados, mas não foi obedecido, e a chegada de militares que foram arregimentados para transportarem os rapazes. E, por fim, o trajeto e a chegada ao Morro da Mineira. Para o juiz, em nenhum desses momentos, os três militares tiveram participação ativa na ação. "Ao que parece, Eduardo Pereira de Oliveira e Bruno Eduardo de Fátima não participaram do primeiro momento no Morro da Providência. Samuel de Souza Oliveira não teve participação relevante no referido momento. Por isso, não há fundado receio de que possam a vir a ameaçar testemunhas moradoras da localidade pois estas certamente nada teriam a declarar contra eles", escreveu o juiz. Ainda de acordo com Granando, na base os três militares "também parecem não terem tido condutas relevantes e conscientes que não se justificassem pela possível obediência hierárquica". E na chegada ao morro, permaneceram o tempo todo posicionados próximo ao caminhão do Exército, enquanto os jovens foram entregues aos traficantes, "em situação na qual não lhes era razoavelmente exigível comportamento diverso", escreveu o magistrado. Granado ressaltou que determinou a libertação dos militares numa "análise prefacial", feita a partir dos depoimentos do oficial e 10 militares detidos. Segundo o juiz, sua decisão "poderá sofrer reavaliação" depois que o Ministério Público Federal se pronunciar.

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