Soluções de engenharia para driblar poluição sonora

Para especialista, má educação é principal responsável por ruídos na cidade, mas há remédio

Lilian Primi, O Estadao de S.Paulo

16 de novembro de 2007 | 00h00

Morar em uma cidade como São Paulo pode significar a convivência forçada com um nível de ruído muito além dos 70 decibéis (dB) - máximo permitido por lei, que cai para 45 dB à noite. "O problema está nos cidadãos, que desobedecem as leis da boa convivência", diz o engenheiro civil especialista em conforto acústico Racine Tadeu Araújo Prado, professor do Departamento de Construção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. "O barulho do trânsito é até certo ponto, suportável. Mas um bar com som em alto volume e onde as pessoas falam aos berros é inconcebível", ressalta.Mas para quem não pode esperar que o vizinho aprenda a respeitar o próximo, a Engenharia criou algumas soluções baseadas na instalação de barreiras, que impedem o som de entrar no ambiente. "Isso implica em vedar totalmente a residência, com portas e janelas anti-ruído." Ou instalar barreiras reais, como a parede de concreto que existe na área de chegada da Rodovia dos Bandeirantes. "Qualquer parede, de concreto ou tijolo, tem grande massa e, portanto, barra o som", explica. O problema, segundo o professor, é o preço. "A classe média dificilmente tem acesso a elas", avalia. Na empresa especializada em sistemas anti-ruído Atenua Som, por exemplo, a janela anti-ruído (com vidro duplo e caixilhos vedados) custa a partir de R$ 1,5 mil. "Como o ambiente tem de ficar fechado, costuma-se incluir o ar condicionado", conta o vendedor Marcelo Alex dos Santos. A empresa atende o Brasil todo, mas o vendedor diz que, em São Paulo, a maioria dos clientes está em bairros com trânsito intenso, como Morumbi, Campo Belo, Moema e Itaim Bibi. Na Avenida Nove de Julho, na região central, por exemplo, o ruído pode chegar a 90 dB. A média nas ruas de São Paulo é de 80 dB, segundo o vendedor. "A maioria quer vedar os dormitórios", conta.A empresa criou um sistema de sobreposição para contornar as limitações de condomínios que não permitem mudanças na fachada. Ele garante redução na intensidade do ruído de 70%. Mas não é apenas o barulho externo que incomoda. Há o ruído próprio do funcionamento da casa "que deve ser absorvido, para não reverberar, o que se consegue com revestimentos fibrosos", ensina o professor Prado. A clássica solução das caixas de ovos criam um bom ambiente para ouvir música, assim como o carpete e os forros de materiais fibrosos. Mas o arquiteto e empresário Schaia Akkerman, sócio-diretor da Acústica Engenharia, diz que, com as espessuras das paredes e lajes que se usam atualmente, isso apenas reduz o problema. "O boom imobiliário acirra a concorrência, baseada principalmente no preço", explica. Para conseguir um custo menor, muitas vezes se sacrifica a qualidade de vida no ambiente. "Com lajes mais finas, os passos do vizinho de cima ecoam embaixo. Isso só se revolve durante a construção, com a colocação de mantas isolantes entre um andar e outro."

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