Solvente pode ter causado incêndio de ônibus em Rio Grande

As primeiras investigações sobre o incêndio num ônibus de transporte urbano em Rio Grande, na zona sul do Rio Grande do Sul, a 320 quilômetros de Porto Alegre, indicam que a causa mais provável do acidente foi a explosão, provocada pelo calor de mais de 35 graus, de uma lata de solvente que estava atrás do banco do motorista. Apesar da rapidez com que as chamas se alastraram pelo interior do veículo, o motor, os pneus e a bateria ficaram intactos. O ônibus, da empresa União Cotista, estava em operação desde 1997 e passava por vistorias periódicas. O acidente ocorreu no final da tarde de ontem e provocou pânico entre os cerca de 50 passageiros que estavam a bordo. No desespero, os passageiros quebraram as janelas porque sentiram que não teriam tempo de sair pelas duas portas abertas, à frente e ao fundo do veículo. Uma mulher contou que saltou sobre o banco do cobrador, acima do nível dos demais assentos, e se atirou por uma janela com a filha nos braços. Os pedestres, que correram para ajudar, auxiliaram algumas pessoas a saltar para o lado de fora. A Santa Casa de Rio Grande atendeu 27 pessoas com queimaduras, cortes, fraturas e hematomas. Quatro delas permaneciam internadas ao final da tarde de hoje. O caso mais grave é o da adolescente Bruna Moreira, de 14 anos, última passageira a ser retirada das chamas. Ele teve 40% do corpo queimado e é mantida em coma induzido. Os médicos recomendaram sua transferência para a Unidade de Queimados do Hospital de Pronto-Socorro de Porto Alegre, especializada em casos semelhantes. Também estão na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da Santa Casa de Rio Grande o motorista Alexandre Muniz Hernandez e a passageira Naide Maria Teles, em condições que o hospital considerou "estáveis". Outra passageira, Paula Malaguez, foi transferida para um quarto. A polícia começou a ouvir os passageiros hoje. O delegado Elione Lopes considera remotas as hipóteses de incêndio criminoso ou sabotagem. Mas quer saber quem colocou a lata de solvente no interior do veículo e que motivos tinha para fazer isso. Os técnicos do Instituto Geral de Perícias vão fazer a vistoria do ônibus amanhã.

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