Some meteorito que caiu na Bahia

Os técnicos do Observatório Astronômico de Antares, da cidade de Feira de Santana, não encontraram vestígios do meteorito que caiu na noite de segunda-feira no povoado de Tabocal, município de Santo Antonio de Jesus, no Recôncavo Baiano. Os pesquisadores vasculharam o local nesta quarta, mas só identificaram a devastação causada pela queda. O objeto provocou incêndio na mata.Os técnicos do Antares acham que alguém pegou os vestígios do meteorito como lembrança, mas pretendem continuar as buscas na região.BendegóNão é de hoje que os meteoritos caem na Bahia. O primeiro de que a literatura dá notícia, pelas mãos de Machado de Assis (1839-1908), foi o "meteorólito" de Bendegó, ou Bendengó, que desabou no sertão baiano no século 18. Pelo menos é o que diz o historiador John Gledson, um dos estudiosos de Machado de Assis, em uma das notas do livro que reúne as crônicas publicadas na Gazeta de Notícias entre 1888 e 1889, chamadas Bons dias!O Bendengó chamou atenção de Machado menos pela queda e mais pela demora com que foi transportado ao Rio, "com grandes dificuldades, a expensas do governo imperial".Na crônica de 5 de abril de 1888, estréia de Bons Dias!, o futuro autor de "Dom Casmurro" usou o mote para dizer aos leitores que a coluna devia durar um bom tempo ("Aqui me terão, portanto, com certeza até a chegada do Bendengó").Na de 11 de junho do mesmo ano, o da Abolição, pôs um Carvalho a "dialogar" com o meteorito sobre a política e os rumores de que a República estava por vir. O tal Carvalho seria o comandante José Carlos de Carvalho, chefe da expedição que fora buscar o Bendengó. Sempre segundo a pesquisa de Gledson, o meteorito era pesadíssimo, como diria o agregado José Dias, de Dom Casmurro: ia a mais de 30 mil quilos e foi transportado por quarenta juntas de bois.

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