'Somente ela é que pode dizer quem ela quer e não quer'

Lula diz ainda que dará lição de como se porta um ex-presidente da República: 'Ele não indica, não veta'

, O Estado de S.Paulo

04 Novembro 2010 | 00h00

Confira os principais trechos da entrevista concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem, em Brasília.

APRESENTAÇÃO

"Dilma vai ter um merecido descanso, já que logo na segunda-feira terá de viajar para Seul. É uma grande oportunidade para os líderes do G-20 conhecerem quem vai presidir o Brasil pelos próximos quatro anos. E quero falar algumas coisas que ainda não havia falado depois das eleições, da minha alegria profunda pelo comportamento democrático do povo brasileiro mais uma vez. E quis Deus e a maioria do povo brasileiro que fosse Dilma a escolhida."

NOVA EQUIPE

"Tenho acompanhado a imprensa e já vi governo montado, destituído, cargo indicado para tudo quanto é lado. É um samba maluco, alucinante, a quantidade de informações que passam para vocês. O governo da Dilma tem que ser a cara e a semelhança da Dilma. É ela, e somente ela, que pode dizer quem ela quer e não quer. É só ela que pode dizer aos partidos aliados se concorda ou não com as pessoas. E somente ela e os partidos aliados é que irão construir a coalizão."

INFLUÊNCIA

"Na minha cabeça funciona a seguinte tese: rei morto, rei posto. Eu disse a vocês que ia dar lição de como se comporta um ex-presidente da República. Ele não indica, não veta. Um ex-presidente da República poderá dar conselho se um dia for pedido. Se for para ajudar, para atrapalhar nunca! É esse o comportamento de um ex-presidente da República. Nem o Mano Menezes quando foi para a seleção pediu para o técnico do Corinthians manter um jogador. Como eu vou pedir? A Dilma tem que mostrar o time dela. Ela é que vai ser o técnico dessa seleção. Não vou participar da transição. A continuidade é na política, não nas pessoas."

AUTOPISTA

"Dilma ajudou a colocar esse carro em marcha, então, o carro não está na garagem, os pneus calibrados, o motor está regulado, o carro está andando a 120 por hora. Se ela quiser pode pisar um pouco mais no acelerador e ir a 140, 150 por hora. Não tem por que brecar esse carro. Só tem que dirigir com muita responsabilidade. Olhar bem as curvas, não passar quando houver duas faixas amarelas."

CRIAÇÃO

A Dilma vai ter condições de ter muita criatividade. Como a infraestrutura já está elaborada, e ela própria é coordenadora, ela agora tem que pensar em outras coisas. O que vai acontecer a mais neste país para que a gente não perca esse momento excepcional na economia, esse momento de autoestima do povo brasileiro?"

OPOSIÇÃO

"Tenho a vantagem de ser o cara que mais perdeu eleições para presidente da República, mais do que o Serra, que perdeu duas. Perdi três. Quando a gente perde, fica sisudo. A Dilma vem de uma formação política admirável. O que algumas pessoas viam como defeito na Dilma, eu via como virtude. Ela chegou ao poder com a experiência de quem conhece o Brasil como ninguém, de quem conhece a máquina pública. Queria pedir à oposição que a partir do dia primeiro de janeiro - contra mim não tem problema, podem continuar raivosos, podem continuar do jeito que sempre foram -, mas que eles olhassem um pouco mais o Brasil, que torcessem para que o Brasil desse certo."

ESTÔMAGO

"Não vou falar aqui em unidade nacional, pois essa já é uma palavra queimada. Mas eu queria apenas pedir que no Congresso a nossa oposição não faça contra a Dilma a política que fez comigo, a política do estômago, da vingança, do trabalhar para não dar certo. Até porque a oposição governa importantes Estados e sabe que a relação institucional entre Estados e governo federal tem que ser a mais harmoniosa possível, porque todos perdem."

CÂMBIO

"A única coisa que queremos em comum é o câmbio flutuante. Achamos que os EUA e a China estão fazendo uma guerra cambial. Os EUA querem resolver o problema do déficit fiscal e a China sabe que não pode continuar com sua moeda subvalorizada. Vou para o G-20 para brigar. Se eles já tinham problema para enfrentar o Lula agora vão enfrentar o Lula e a Dilma. O Guido (Mantega) e o (Henrique) Meirelles sabem que terão que acompanhar a questão do câmbio."

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