Sorocaba quer de volta oratório de 300 anos

A prefeitura de Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo, vai pedir ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que devolva um oratório retirado na década de 40 da fazenda do fundador da cidade, o bandeirante Baltazar Fernandes. A peça, de 1,70 m de altura, em madeira policromada, foi transformada em ornamento da sala da diretoria do Iphan em São Paulo. A relíquia de 300 anos, de cujo paradeiro não havia qualquer referência recente, foi descoberta por acaso por um grupo de pesquisadores do Museu Histórico Sorocabano. Eles foram ao prédio do Iphan, em São Paulo, há dois meses, para obter cópias de fotografias da casa-sede da fazenda, construída em 1654 e demolida em 1958. Quando já se retiravam, passaram pela sala da diretoria e reconheceram a peça. "Ficamos boquiabertos", disse o arqueólogo Wanderson Esquerdo Bernardo, integrante do grupo. Curiosamente, algumas fotos da década de 40 copiadas pelos sorocabanos, momentos antes, mostravam aquele oratório no casarão. "Não havia como negar a origem", disse Bernardo. Integravam também o grupo a diretora do museu, Sônia Nanci, e o historiador Adolfo Frioli. Eles apuraram que o oratório foi levado quando uma equipe do Iphan esteve em Sorocaba para vistoriar o casarão, abandonado e sob risco de desabamento. Na época, a peça foi removida para o Sítio Santo Antônio, em São Roque, tombado pelo patrimônio. Bernardo acredita que a remoção foi providencial, pois naquele período não havia a mesma preocupação de hoje com o patrimônio histórico. "O oratório poderia ter sido destruído ou desaparecido de vez." A secretária de Educação de Sorocaba, Sheila Bovo, vai formalizar o pedido de devolução, e acredita que o Iphan não se oporá. "É uma iniciativa legítima do município, afinal a peça tem estreita ligação com a história da fundação da cidade." Caso seja devolvido, o oratório deverá ficar exposto no Museu de Arte Sacra ou no Museu Histórico Sorocabano.

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