'Sou da turma do Lula', reforça Dilma

Petista repisa tese de que dará continuidade às ações do atual governo e a retórica de que chegou a hora de uma mulher comandar o País

Andrea Jubé Vianna e Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, reforçou a estratégia de associar sua imagem à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na convenção nacional do PRB, que formalizou o apoio da sigla à sua candidatura. "A minha turma é a do Lula, é a do Zé Alencar, é a de vocês", discursou, num dos poucos momentos em que empolgou a plateia.

Abusando do discurso técnico, pontuado por números e dados do governo Lula, a candidata repisou que dará prosseguimento às ações e aos programas do atual governo. "Eu tenho uma missão. É continuar esse processo, seguindo em frente, avançando." Prometeu percorrer todo o País mostrando que o atual governo "sabe fazer e tem de continuar fazendo".

Dilma também reforçou a retórica de que chegou a hora de uma mulher comandar o País. "Se Deus quiser e o povo também, serei a responsável-mor pelas mulheres deste país. Qualquer menininha vai poder falar, como os meninos falam, que "quando crescer, quero ser presidente da República"."

A maioria da plateia, de cerca de 700 pessoas, era formada por jovens do programa Força Jovem Brasil, projeto mantido pela Igreja Universal, que tem como principal representante no Congresso o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), presente à convenção. "Eu nem sabia que ela vinha. Eu vim para ver o Crivella", disse uma das jovens presentes.

Vice tucano. O PT e os aliados comemoraram a crise na campanha do tucano José Serra em torno da escolha do vice na chapa. Na avaliação dos partidários de Dilma, a confusão desencadeada entre PSDB e DEM com a indicação do senador Álvaro Dias (PSDB) como vice na chapa do tucano acabará beneficiando indiretamente a petista.

"Ele (Serra) disse que ia unificar o País e não consegue nem unificar os aliados em torno de sua candidatura", argumentou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Na avaliação do secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP), a crise na campanha tucana mostra que "os adversários estão bastante atrapalhados".

Para o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), a falta de unidade dos aliados de Serra acabará levando ao crescimento da candidatura de Dilma. "O PSDB está tratando o DEM com desdém. Isso é ótimo para a campanha da Dilma", afirmou Valadares, que disputa a reeleição para o Senado. Já o vice-presidente José Alencar, presente ao encontro, evitou o tema. "Isso não é coisa nossa", esquivou-se Alencar

"Lado de lá". Em São Paulo, durante a convenção estadual do PT, ministros do governo Lula também ironizaram os desencontros no território da oposição.

"O lado de lá vive batendo cabeça, parece a França. A seleção do povo vai dar uma goleada no time dos tucanos", disse o ministro do Esporte, Orlando Silva.

"O lado de lá tem uma atitude diferente da nossa. O lado de lá acha que pode governar sozinho. Nossa campanha aqui vai unir São Paulo e o Brasil para continuar mudando", disse o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

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