SP acusa ONU de usar dados errados sobre violência

O governo de São Paulo acusou a Organização das Nações Unidas (ONU) de divulgar um relatório com dados ultrapassados e errados sobre a violência no Estado. O documento dizia que o Estado de São Paulo concentra 1% dos homicídios cometidos no mundo. A secretaria apontou erros, como o número incorreto da taxa de homicídios por 100 mil habitantes em 2002, além de ampliar em quase três vezes o número de assassinatos em 2006. O relatório da ONU, como apontou a Secretaria da Segurança Pública, baseou seus dados em uma reportagem publicado pelo jornal argentino La Nación, em 12 de julho de 2006. "A informação de que São Paulo detém 1% dos homicídios do mundo, citando uma informação da Organização Mundial da Saúde (OMS), refere-se a 2002 e não a 2006. Um número, aliás errado", afirmou a secretaria. O relatório também foi criticado pelo governador José Serra. "Evidentemente que é uma notícia espetacularmente errada. Ela está falando de 1999 e nós estamos vivendo em 2007. É uma notícia que não faz sentido." Serra se referia ao fato de o pico dos casos de homicídios em São Paulo ter ocorrido em 1999, quando esse tipo de crime atingiu a taxa de 52,5 casos por 100 mil habitantes. Em 2002, essa taxa era de 43,7 por 100 mil habitantes e, em 2006, ela caiu ainda mais. Chegou a 18,9. "Hoje, no Estado, são 11 homicídios por 100 mil habitantes", informou a secretaria. Em seu relatório, a ONU assumiu a informação do jornal argentino de que a taxa de homicídios em 2002 em São Paulo era de 52 mortes por 100 mil habitantes. Assim, o relatório não constatou ainda a queda do número de assassinatos ocorrida no Estado durante o período. A taxa de homicídios, segundo a Secretaria da Segurança, caiu 60% de 1999 a 2006, um dos períodos citados pelo documento da ONU. Mas a entidade não faz menção nenhuma a esse fato. Pelo contrário: ela usa os números do pico de homicídios no Estado (1999) para demonstrar, como disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, que "a violência urbana está aumentando em todo o mundo, mas isso é mais forte na África e na América Latina." O Movimento Viva Brasil também contestou os dados divulgados pela ONU. Segundo o presidente da organização não-governamental, professor Benê Barbosa, o documento "além de de criar um ambiente de terror para a população, pode, ainda que totalmente equivocado, ser assimilado por aqueles que decidem sobre as necessidades de segurança dos cidadãos".

O Estadao de S.Paulo

03 Outubro 2007 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.