SP dá promoção e aposentadoria

Governo acena com benefícios para encerrar paralisação

Marcelo Godoy e Claudio Dias, O Estadao de S.Paulo

08 Outubro 2008 | 00h00

O governo aceitou promover 1.295 delegados da ativa, pouco mais de um terço da categoria, com a extinção das 5ª e 4ª classes, que seriam limitadas a estágio probatório. A medida provocará promoções em cascata para as 2ª e 1ª classes, e a polícia deve voltar a ter aposentadoria especial. Esses foram os dois principais resultados da primeira reunião de negociação entre a Associação dos Delegados de Polícia do Estado e a Secretaria de Gestão Pública, após a associação suspender greve que durava 20 dias. A negociação deve continuar hoje, quando as partes devem tratar do aumento para o salário-base e a extinção de níveis da gratificação de localidade. "O governo deve enviar à Assembléia o projeto de aposentadoria especial até o fim de semana", disse o delegado Sérgio Marcos Roque, presidente da Associação dos Delegados de Polícia, que se reuniu com o secretário Sidney Beraldo (Gestão Pública). DETERMINAÇÃO A Delegacia Geral da Polícia Civil determinou nova ferramenta para barrar a greve. O Estado teve acesso a documento assinado pelo delegado do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter 3), George Henry Millard, e encaminhado aos delegados seccionais de Araraquara, São Carlos, Sertãozinho, Barretos, Franca, Bebedouro e Ribeirão Preto, exigindo relatórios diários às 10, 14 e 18 horas das unidades que se recusam a efetuar ocorrências. A medida exige o nome dos policiais que não atendem aos pedidos de BOs. A determinação atinge a 93 cidades. Policiais dizem que a resposta é padrão: informam que a freqüência dos grevistas é de 100% e os serviços atendem aos 80% previstos pelo Tribunal Regional Eleitoral. O presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado, João Batista Rebouças, diz que qualquer retaliação será denunciada. "O movimento é legal, e se alguém for ameaçado, entraremos com ação de abuso de autoridade." Tanto Millard quando os seccionais não foram autorizados a dar entrevista. A Delegacia Geral foi procurada para comentar se a postura é regional ou estadual, mas não retornou.

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