SP e Manaus têm menos desigualdade social

Entre as 12 maiores capitais brasileiras, São Paulo tem a melhor distribuição de renda, embora já tenha sido mais justa nos cinco primeiros anos da década de 80. É o que indica o Relatório de Desenvolvimento Humano sobre Distribuição de Renda, organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). A capital paulista tem um índice de desigualdade de 0,54 (o brasileiro é de 0,74). Manaus apresenta o mesmo índice, mas por ser a capital mais pobre dentre as 12 pesquisadas.Na capital paulista, a renda média familiar per capita é de R$ 534, a terceira maior das capitais, enquanto na capital do Amazonas é de R$ 238. "Na verdade, em Manaus, todo mundo é muito pobre, o que explica o índice", disse o economista Jorge Telles, um dos coordenadores do estudo. "São Paulo tem uma boa situação relativa, embora a desigualdade tenha aumentado nas últimas décadas", disse. Entre 1981 e 1985, a cidade tinha um índice de desigualdade de 0,49.Os números mostram ainda que a renda dos 40% mais pobres da cidade equivale a 9,4% dos recursos disponíveis, enquanto 1% dos mais ricos fica com 11% do total. O percentual de pobres diminuiu na capital paulista nos últimos 20 anos. De acordo com a pesquisa, a porcentagem de pessoas abaixo da linha da pobreza (menos de R$ 82 por mês) em São Paulo, entre 1995 e 1999, era a segunda menor das 12 capitais: 10,3%, perdendo apenas para Curitiba, onde o percentual é de 9,2%. Entre 1981 e 1985, a porcentagem de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza era de 11,4% - na época, a cidade também estava em segundo lugar, mas perdia por um ponto percentual para Porto Alegre."O número de pobres caiu e a renda aumentou, mas a desigualdade aumentou um pouco. Isso mostra que os ricos se beneficiaram mais do aumento da renda", analisou Telles. Ele entende que a situação da capital paulista está ainda longe do ideal. "Em termos relativos, no entanto, o desempenho de São Paulo é muito bom", apontou.Comparando - A maior renda média familiar per capita entre 1995 e 1999 foi registrada em Porto Alegre (R$ 624) e, em segundo lugar, em Curitiba (R$ 552). Nos primeiros cinco anos da década de 80, Porto Alegre já ocupava o primeiro lugar da lista (com R$ 532), seguida do Rio de Janeiro (R$ 440), enquanto Curitiba (com R$ 380) aparecia em quarto lugar.A situação da capital fluminense melhorou (a renda média é de R$ 522), mas não tanto quanto em outras cidades, fazendo com que o Rio ocupe agora a quarta posição.O menor percentual de pobres entre 1995 e 1999 foi registrado em Curitiba, 9,2%. Porto Alegre, que ocupava o primeiro lugar no ranking nos primeiros cinco anos da década de 80, com 10,1%, aumentou a porcentagem para 12,1%, e caiu para a terceira posição. A maior proporção de pobres está em Fortaleza (37,3%). Seguem-se Recife (35,9%) e Salvador (33,6%). O maior índice de desigualdade é do Recife: 0,74.

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