SP: Furokawa contesta acusações de omissão

O secretário da Administração Penitenciária do Estado, Nagashi Furokawa, negou ontem que sua secretaria tenha sido omissa e não tenha ouvido os alertas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Presídios, instalada na Assembléia Legislativa em 1996 para investigar as condições do sistema carcerário do Estado de São Paulo. Em seu relatório final, a CPI alertava que o crescimento do poder das organizações criminosas dentro dos presídios ameaçava a capacidade do governo de administrá-los. O relatório afirmava ainda que o ?sistema carcerário havia chegado ao seu limite? e descrevia os presídios do Estado como barris de pólvora à beira da explosão. A superlotação de presídios, a corrupção de agentes penitenciários e maus tratos sistemáticos contra os presos eram os reflexos imediatos da ?falência do sistema?. O deputado Wagner Lino (PT), relator da CPI, afirmou que as rebeliões que ocorreram no fim de semana nos presídios de São Paulo já eram previstas no relatório divulgado em 1996. ?A omissão do Estado deu margem ao crescimento das organizações criminosas?, afirmou ele.Na terça-feira, o deputado federal Marcos Ronin (PT-RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, afirmou em São Paulo que o governo do Estado ?fechou os canais de comunicação com os presos e os deixou à mercê das organizações criminosas? como o Primeiro Comando da Capital (PCC), responsável pelo levante nos presídios paulistas no fim de semana. ?Enquanto o Estado se omitiu, as organizações criminosas cresceram?, sentenciou Ronin.Furokowa negou as acusações. De acordo com ele, todos os alertas formulados nos últimos anos têm sido ouvidos tanto por sua Secretaria quanto pela Secretaria de Segurança Pública. ?Não somos omissos à questão dos direitos humanos dos presidiários. A Pastoral Carcerária, uma das principais organizações com este enfoque, tem canal aberto em meu gabinete?, argumentou o secretário. Furokawa rebateu, ainda, as acusações de Lino de que ?o governo não ataca o centro da questão carcerária?. Para o secretário, o problema carcerário em São Paulo ?é histórico? e ?nunca foram construídas tantas vagas penitenciárias como no atual governo?.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.