SP ganha por ano R$ 2,4 bilhões com feiras de negócios

Era o ano de 1958 quando o empreendedor Caio de Alcântara Machado organizou a primeira feira de negócios da cidade, a Feira Nacional da Indústria Têxtil (Fenit), no pavilhão do Parque do Ibirapuera. Na quinta-feira, o empresário Luis Augusto de Alcântara Machado, filho de Caio, abriu no Centro de Exposições Imigrantes a segunda edição de uma das mais novas feiras do calendário paulistano, a Motoboy Festival, com produtos voltados para os mais de 150 mil motoboys da cidade. "É preciso encontrar novos nichos, porque hoje a cidade já é sede de feiras de todos os setores."Desde que a primeira surgiu, as feiras de negócios se tornaram fundamentais para a economia de São Paulo. As 93 feiras que estão programadas para 2007 injetarão R$ 2,4 bilhões na economia paulistana. Conforme dados da União Brasileira dos Promotores de Feira (Ubrafe), serão R$ 700 milhões em locação de áreas para exposição, R$ 700 milhões em aluguel de equipamentos e serviços e R$ 1 bilhão em viagens, hospedagem e transportes terrestre e aéreo. "São turistas que todas as cidades querem, porque gastam mais", afirma Nelson Baeta Neves, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis.Os eventos, de diferentes tamanhos e importância, ocupam o calendário dos cinco principais centros de exposições da cidade quase todos os dias do ano, criando 120 mil empregos diretos e indiretos em mais de 50 atividades diferentes. "É preciso montar estandes, contratar recepcionistas e visitantes alugam carros, vão a restaurantes e hotéis", diz Jorge Alves de Souza, presidente da Ubrafe.Pelo menos 40 feiras recebem mais de 60 mil visitantes, total de público do Grande Prêmio de Fórmula 1. Segundo dados da São Paulo Turismo (SPTuris), um em cada três turistas que chegam à cidade é visitante de feiras. E consome, em média, três vezes mais do que o turista tradicional. "Se tivéssemos um centro com o porte de outras grandes cidades do mundo, a capital ganharia ainda mais", diz o presidente da SPTuris, Caio Luiz de Carvalho. Quase a totalidade dos eventos é fechada ao público e dedicada aos negócios. A Couromoda, feira de calçados e acessórios de couro, abriu em janeiro o calendário de feiras e recebeu a visita de expositores e compradores de 68 países. Em quatro dias, foi negociado um quarto do que o setor vai produzir no ano. "Recebemos 70 mil visitantes profissionais, 9% a mais do que no ano passado", diz o presidente e fundador da feira, Francisco Santos.GadoUm dos destaques do calendário são os eventos agropecuários. Na Feira do Gado de Corte (Feicorte), 4 mil cabeças de gados top de raça ficam argolados em 40 mil metros quadrados. "Os produtores vêm negociar genética para melhorar o rebanho", diz Décio Ribeiro dos Santos, um dos organizadores do evento. Uma das novidades desses cruzamentos de raças será servida no restaurante Rubaiyat: uma mistura de boi japonês e gado brangus, carne extremamente macia.

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