SP ganhará mais cinco shoppings até março

A entrada de capital estrangeiro nas empresas de São Paulo não está levando apenas ao surgimento de um boom imobiliário de condomínios residenciais. Em menos de seis meses, a capital ganhará cinco novos shoppings - de propostas populares a investimentos de luxo. Isso significa 350 mil metros quadrados construídos, 900 novas lojas e 6 mil vagas de estacionamento (que têm tudo para ficar lotadas). Os novos centros de compras não trazem somente mais lojas das mesmas grifes ou de marcas inéditas no País. Segundo especialistas, transformaram-se no ponto de encontro preferencial dos paulistanos - um local em que se vai para andar, almoçar com a família, tomar um café ou folhear uma revista ou livro. As redes de supermercados, antigas âncoras dos empreendimentos, deram lugar ao lazer para atrair clientes, de cinemas a parques de diversão. Da mesma forma, a criação de espaços bem desenhados e decorados (com muito verde) passou a ser item obrigatório nos novos shoppings. O novo Metrô Itaquera, por exemplo, terá as primeiras nove salas de cinema do bairro da zona leste. Do mesmo grupo do Metrô Tatuapé, ele deverá ser um dos maiores, com 220 lojas - 7 delas de departamentos - e 10 megastores, além de acesso direto pelo metrô. Já o Bourbon, na zona oeste, aposta num cinema com tela de quase seis andares de altura para atrair quem está nas imediações. VERSÃO 2.0 E mesmo os lugares que já têm público cativo passaram ou irão passar por reformas para assumirem uma versão Shopping 2.0: com menos consumo e mais lazer. "A diversão se tornou fundamental", afirma Nabil Sahyoun, presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). Segundo ele, a concorrência entre empreendimentos atingiu o limite nos bairros da zona sul da cidade. Para Sahyon, o setor de alto luxo vive uma expansão cujos resultados ainda são imprevisíveis. Há pelo menos três novos empreendimento do gênero em construção. A forte concorrência levou o Iguatemi a propor cláusula de raio, para evitar que grifes que hoje alugam espaços inaugurem filiais em outros centros muito próximos. "Mas isso acabou não funcionando." Na avaliação de Sahyoun, "a classe A não sustenta o bom funcionamento de um shopping" porque não tem como hábito freqüentar espaços do gênero. "Se não houver uma mescla de classes, pelo menos com a B, não dá certo", considera. Alberto Botti, o arquiteto que mais construiu shoppings na capital, acredita que São Paulo ainda tem muito espaço para eles. "São empreendimentos rápidos em se adaptar às tendências. Em Miami, há um do lado do outro. E acredito que nossa cidade tem potencial comercial ainda maior."

Sérgio Duran e Rodrigo Brancattelli, O Estadao de S.Paulo

13 Outubro 2007 | 00h00

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