SP legaliza cooperativa de catadores em Pinheiros

Depois de anos de brigas com a Prefeitura e os vizinhos, a Cooperativa dos Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis (Coopamare) conseguiu o que queria: permanecer sob o Viaduto Paulo VI, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo. A Prefeitura oficializou ontem a permanência da cooperativa no local.Em 2005, a Coopamare recebeu notificação de despejo. Foi oferecido um lugar na Vila Maria, zona norte, considerado inadequado pelos catadores. A zona oeste, onde alguns trabalham há mais de 20 anos, é o principal fornecedor de recicláveis para o grupo.Garantida a permanência no local, a cooperativa terá de, em contrapartida, organizar ações para melhorar o espaço, priorizando a segurança e a promoção de condições dignas de trabalho. Deverão ser observados cuidados com instalações elétricas e extintores de incêndio. A autorização foi dada no decreto nº 48.738, de maio."Não corremos mais risco de despejo. E poderemos buscar apoio de empresas para melhorar nossas condições", comemora a coordenadora-geral da Organização de Auxílio Fraterno (OAF), Regina Maria Manuel. Segundo ela, que há dois anos lutava pela permanência na área, a cooperativa já tem projeto técnico de prevenção a incêndios.A fiscalização será feita pela Subprefeitura de Pinheiros. A OAF deverá zelar pela segurança, integridade e conservação da área, além de trabalhar sem prejudicar os vizinhos. A entrada e a saída dos catadores com as respectivas cargas só poderão ser feitas das 7 às 22 horas. Em quatro meses, a coleta de recicláveis, atualmente feita por tração humana, deverá ser motorizada. Segundo o subprefeito de Pinheiros, Nilton Nachle, a Limpurb vai organizar a coleta. "Nossa proposta é que a empresa pública faça a retirada do material. O catador continuará tendo renda, separando o material e carregando os caminhões." Segundo ele, há 80 depósitos irregulares de material em Pinheiros.

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