SP mira motos ''envenenadas''

Quem alterar escapamento será reprovado em inspeção

Fábio Mazzitelli e Mário Curcio, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

Alterações no sistema de escapamento ou em outros itens de fábrica, como o sistema de indução de ar, reprovarão as motos na inspeção veicular ambiental da capital paulista, que começa na próxima segunda-feira.Ontem, último dia útil antes do início do programa de 2009, a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente publicou no Diário Oficial o procedimento do teste para motos. Neste ano, todas as 770 mil motos registradas na capital estão obrigadas a passar pela vistoria. No total, cerca de 2,6 milhões de veículos serão convocados para o teste obrigatório, entre os quais 1,5 milhão de carros fabricados a partir de 2003 e a frota a diesel paulistana.As normas para as motos determinam a vistoria em itens de fábrica na checagem visual do exame, antes mesmo do início do teste de emissão de poluentes, feito por meio de uma sonda colocada no escapamento do veículo. Segundo dados da Cetesb, as motos fabricadas até o início da década emitem, em média, seis vezes mais gases poluentes do que carros.Essa proporção vem caindo por causa de obrigações ambientais impostas às montadoras de motocicletas, entre as quais a instalação de sistema de indução de ar, que começou a ser item de fábrica em 2006. Em 2007, segundo a Cetesb, as médias de emissão de gases indicam que a moto polui de duas a três vezes mais do que o carro.FUNÇÃO ESPECÍFICA"A frota de motos é muito grande na cidade e, desde o início, fomos a favor da inclusão delas na inspeção (ambiental)", afirma Harley Bueno, diretor de Segurança Veicular da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). "Tudo o que a montadora coloca no veículo tem uma função e não deve ser alterado. Se está lá, é porque tem uma função específica." Dependendo do motor, a medição das motocicletas será feita em dois ou mais escapes que o veículo tiver, segundo o padrão definido pela Prefeitura para a inspeção.Os motoboys, que respondem por cerca de 20% da frota na capital, estão resistentes à inspeção. "Não sei dizer como vai ficar a adesão da categoria, porque não achamos justo ter inspeção", diz Gilberto Almeida dos Santos, o Gil, presidente do SindiMotoSP.

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