SP pode ter ´apagão da saúde´, diz secretário; Serra concorda

O governador de São Paulo, José Serra iniciou nesta terça-feira em Barretos o programa de auxílio a 100 hospitais e instituições filantrópicas do Estado, que destinará R$ 250 milhões neste ano. A Fundação Pio XII, mantenedora do Hospital de Câncer, é a primeira a receber a ajuda extra, de R$ 13,5 milhões - em parcelas mensais de R$ 1,5 milhão. Serra disse que o Estado está fazendo a sua parte, enquanto o governo federal não reajusta a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). O governador também concordou com o secretário estadual da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, que citou que o momento atual é preocupante e que poderá ocorrer um "apagão da saúde". "É uma preocupação (o apagão), sem dúvida, porque o sistema da saúde está muito tencionado pela questão de recursos", comentou Serra. Durante seu rápido discurso, Barata enfatizou que é necessário o reajuste da tabela do SUS com urgência para melhorar o atendimento da população. "Se não vamos ter um apagão da saúde, o momento é grave", destacou Barata. "São Paulo dá um exemplo de solidariedade, de auxiliar a quem precisa", emendou o secretário. Serra acrescentou, depois, que as demandas por atendimentos médicos crescem e isso gera uma tensão grande no setor. "Mas nós, de São Paulo, estamos atuando muito firmemente para aliviar a situação, fazendo um esforço enorme nesse sentido", afirmou Serra. O governo estadual vai auxiliar 100 das 130 instituições filantrópicas e Santas Casas cadastradas. E Serra, um ferrenho opositor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o venceu na eleição de 2002, disse que, como governador, está cumprindo a emenda 29 da Constituição. Críticas Assim, ele aproveitou para, mais uma vez, criticar diretamente o governo federal (e Lula, mas sem citar o nome do presidente), que não reajusta os valores da tabela do SUS. "São Paulo cumpre integralmente a emenda, mas o governo federal não, porque está pegando o dinheiro da saúde e usando para outras coisas, como, por exemplo, no Bolsa Família, que é um bom programa, mas não é programa de saúde", enfatizou Serra. "E as principais vítimas disso são as instituições filantrópicas", acrescentou ele. "E o que estamos fazendo não é nenhum favor, não, porque elas (instituições filantrópicas) estão prestando serviços à população mais carente, mais necessitada". O programa de auxílio aos filantrópicos começou pelo Hospital de Câncer de Barretos e o governador justificou a escolha. "É um bom exemplo de instituição filantrópica séria em São Paulo e dei a ela muito apoio como ministro da Saúde", explicou Serra. "Tenho muito orgulho por começar por aqui, porque é um modelo", disse ele. E emendou: "(Hospital de Câncer) Faz atendimento gratuito, universal e de muito boa qualidade, um orgulho para Barretos e para São Paulo". O programa, que visa diminuir os déficits mensais das entidades, prevê que as instituições beneficiadas dêem, em contrapartida ao apoio extra, atendimentos gratuitos pelo SUS e tenham responsabilidade na utilização dos recursos. Segundo Serra, os critérios para se enquadrar no programa são seriedade, eficiência na aplicação dos recursos e transparência das contas, "porque o dinheiro é público e tem que ser aplicado de maneira conscienciosa e produtiva para a população". Os próximos hospitais filantrópicos a receberem a ajuda do governo de São Paulo são a Associação Hospital de Bauru e Hospital Amaral de Carvalho, de Jaú, mas não existem datas definidas para as assinaturas dos convênios.

Agencia Estado,

03 Abril 2007 | 20h13

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