SP pode terceirizar exames e atendimento especializado

Novo secretário quer ampliar parceria; hospital visitado por Kassab admite falta de cardiologista

Fabiane Leite, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2012 | 00h00

O novo secretário municipal da Saúde, Januário Montone, afirmou ontem que estuda repassar para entidades sem fins lucrativos reconhecidas como organizações sociais (OS) a realização de exames e o atendimento de especialidades médicas, como cardiologia e ortopedia, na rede da Prefeitura. Hoje, segundo a administração, as filas nas unidades se concentram no acesso a esses serviços. Em visita ao Hospital do Tatuapé, zona leste, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) ouviu protestos de um paciente pela demora para marcar um exame. E a direção admitiu que faltam cardiologistas na unidade. As OS têm facilidades como contratar médicos sem concursos, oferecer salários maiores e dispensar licitações. Para uma entidade ser uma OS, precisa ter conselho de administração e balancetes semestrais, entre outras exigências. Hoje as OS administram só unidades específicas. Com a mudança, poderão prestar serviços para diferentes hospitais e postos. "Podemos ter OS por especialidade, fazer parcerias permanentes que resolvam uma, duas especialidades", afirmou Montone, que até ontem era secretário de Gestão. Ele não descartou a hipótese de que OS assumam a gestão de prontos-socorros dos hospitais. Afirmou ainda que pretende verificar quais regiões da cidade têm menos pessoas cobertas por planos de saúde e torná-las prioridade da pasta. Montone acompanhou ontem o prefeito na visita ao Hospital do Tatuapé, com sua antecessora, Maria Aparecida Orsini. Maria Aparecida, que assumirá um cargo no gabinete do prefeito, tentou justificar sua saída da secretaria. "Acho que é uma questão de perfil. Sou uma técnica e o momento da secretaria agora é de gestão." Kassab foi alvo de reclamações de pacientes. "Viu, Kassab! Tem de melhorar o atendimento! Não tem nem recepcionista!", berrou uma mulher que aguardava ao lado da área de ambulâncias. Há três meses Kassab esteve no local e discutiu com uma mulher que reclamava das camas quebradas - na época a unidade já estava em reforma, que ainda não acabou. Logo em seguida, o prefeito trocou toda a diretoria do hospital. O ajudante de feira Rubens Toledo, de 53 anos, esperava Kassab diante da unidade de Assistência Médica Ambulatorial (AMA) instalada no hospital. Reclamou que não consegue há um mês marcar exames pedidos pelo seu médico para saber se ele pode passar por cirurgia de próstata. "Já vim aqui umas 50 vezes", disse. Logo depois de Kassab sair, a diretoria do hospital abordou a reportagem para informar que Toledo havia passado por "várias consultas". Segundo a diretora do hospital, Flávia Terzian, pacientes costumam reclamar quando vêem jornalistas. "Quando vocês vêm aqui, eles reclamam de tudo." Mas um papel apresentado pela diretora a pedido da reportagem confirmou que o teste ergométrico de Toledo ainda não havia sido realizado, apesar de o pedido ter data de um mês atrás. "Estamos há três meses sem cardiologista", admitiu Flávia.

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