SP projeta minhocão em Moema para ampliação de Congonhas

Proposta enviada a Brasília prevê pilares para extensão de área de escape e demolições também no Jabaquara

Alexssander Soares e Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2003 | 00h00

A Prefeitura encaminhou ao governo federal um projeto que prevê a construção de uma área de escape no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, em ambos os lados das cabeceiras da pista com a desapropriação de imóveis residenciais e comerciais nos bairros de Moema e Jabaquara. A idéia é que a obra seja paga com recursos da iniciativa privada, por intermédio de uma Parceria Público-Privada (PPP). O projeto elaborado por técnicos da Secretaria Municipal de Habitação prevê a construção de pilares formando uma espécie de ''''minhocão'''' para abrigar a área de escape. O investimento seria de R$ 500 milhões.Os pilares sustentariam a estrutura de um caixote coberto com concreto poroso de cerca de 300 metros de comprimento, mesmo método construtivo utilizado no Aeroporto Internacional de La Guardia, em Nova York. A pista principal de Congonhas tem 1.940 metros de comprimento e o aeroporto foi construído em cima de um platô artificial, localizado a 802 metros acima do nível do mar.A área de escape suspensa avançaria por cima das avenidas Washington Luís e Bandeirantes, no lado do bairro de Moema. O perímetro retangular da área a ser desapropriada no lado de Moema da pista de Congonhas teria cerca de 900 metros de cumprimento em linha reta, atingindo imóveis até a Alameda dos Nhambiquaras. O local é bem adensado com imóveis residenciais e comerciais de alto padrão. O metro quadrado construído em Moema custa em média R$ 4,9 mil.O hotel de propriedade do empresário Oscar Maroni Filho, que a gestão Gilberto Kassab, pretende demolir por irregularidades no alvará de construção, está dentro do perímetro a ser desapropriado. O empresário briga com a Prefeitura na Justiça para inaugurar o empreendimento, que segundo Maroni, custou cerca de U$ 27 milhões.A proposta da área de escape na cabeceira oposta da pista, na região do Jabaquara, tem um quilômetro de extensão em linha reta, chegando até a Avenida Engenheiro George Corbisier (veja arte acima). A região é predominantemente residencial, com imóveis antigos.A secretaria elaborou um projeto para ocupar o espaço vago pela área de escape suspensa por pilares no lado do Jabaquara. A idéia seria construir galpões subterrâneos para abrigar mercadorias apreendidas pela Polícia Federal ou para a Justiça Estadual guardar os processos arquivados.Os técnicos da secretaria também imaginam a possibilidade de transformar parte do vão livre em um albergue para atender aos passageiros em trânsito em Congonhas. O espaço seria cedido para exploração da iniciativa privada.ESPAÇO VAGOA elaboração de um projeto para área de escape no Aeroporto de Congonhas foi um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Kassab. O prefeito repassou a missão para o secretário municipal de Habitação, Orlando de Almeida Filho. ''''Só é preciso vontade política para construir a área de escape em Congonhas'''', disse Almeida. O secretário ressaltou que já estudava a construção dessa área em Congonhas havia um ano.O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o governador José Serra (PSDB) também concordam com a construção da área. Especialistas em segurança de vôo consultados pelo Estado defendem a obra pelo tamanho curto da pista principal. Os especialistas só advertem para o risco de um prolongamento da pista , que poderia gerar uma pressão comercial das companhias aéreas para operarem com aviões mais potentes.

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