SP tem 100 novos pontos irregulares de lixo

Mesmo com a criação de 26 ecopontos, há hoje 1.400 lugares de descarte sem autorização

Bárbara Souza, JORNAL DA TARDE, O Estadao de S.Paulo

21 Abril 2008 | 00h00

São Paulo está perdendo a guerra contra o descarte irregular de lixo em ruas, calçadas e canteiros. Há cerca de 1.400 pontos desse tipo na capital, segundo a Coordenação de Subprefeituras. Apesar da construção de 26 ecopontos e do aumento da coleta de entulho, a cidade viu aparecer em um ano mais cem locais usados indevidamente. Em abril de 2007, um levantamento nas 31 subprefeituras apontou que havia 1.300 pontos de descarte irregular de lixo. O problema cresce mesmo com aumento da coleta diária: passou de 4,8 mil toneladas para 6 mil, incluindo material irregular recolhido pela Prefeitura e o entulho levado por empresas aos transbordos da cidade. Além de causar problemas como enchente e proliferação de insetos, o descarte ilegal eleva gastos com limpeza urbana. Por mês, a Prefeitura gasta R$ 25 milhões coletando o entulho que deveria ser destinado pelos geradores de resíduos aos aterros particulares. Mas isso é pago. O aluguel de uma caçamba varia de R$ 60 a R$ 120. Para economizar, donos de obra contratam carroceiros por R$ 10 a R$ 20 por viagem. Entre o entulho, há restos de móveis, de árvores e lixo doméstico. E muitos carroceiros, por falta de informação ou de consciência, abandonam o lixo nos pontos de despejo clandestino de entulho. "É um problema cultural e temos de levar em conta que hoje isso é crime ambiental", disse o secretário de Subprefeituras, Andrea Matarazzo. "Problemas sempre apontam para a ponta mais frágil. Catadores são bodes expiatórios", criticou a coordenadora de Ambiente Urbano do Instituto Pólis, Elisabeth Grimberg. Para ela, o poder público é o responsável pela orientação e fiscalização. Mesmo com um problema dessa dimensão, há poucas ações para eliminar o lixo na cidade. Uma delas, é a expansão de ecopontos. Há 26, mas a idéia é criar mais 10 em 120 dias e chegar a 96 em toda a capital. Cada ecoponto pode receber até 1 m3 por pessoa, ideal para o pequeno gerador de resíduo ou quem não tem como contratar uma empresa. O material é separado por categoria e enviado aos aterros sanitários ou centrais de reciclagem. A dificuldade é achar terrenos disponíveis perto de áreas de descarte ilegal. Algumas subprefeituras têm tido êxito para evitar o depósito ilegal de lixo. Em Pinheiros, zona oeste, com 78 áreas de descarte irregular, a subprefeitura instalou placas informando sobre a proibição e a multa de R$ 500, transformou locais em áreas verdes e distribuiu caçambas. A Subprefeitura de Cidade Ademar, zona sul, construiu muro e calçadas em um terreno que virou lixão. A obra custou à Prefeitura R$ 140 mil. O proprietário terá de pagar R$ 300 mil aos cofres públicos. Em uma ação isolada, a Prefeitura removeu, na noite de terça-feira, 360 toneladas de entulho em um mutirão nas Marginais do Pinheiros e do Tietê.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.