SP tem cinco roubos a banco em 10 h

No crime mais violento, na zona sul, bandidos trocaram tiros com seguranças e fizeram duas famílias reféns

Camilla Haddad e Lais Cattassini, O Estadao de S.Paulo

07 de março de 2009 | 00h00

No quinto dia útil do mês, a capital registrou cinco roubos a agências bancárias em dez horas. No crime mais violento, ontem ao meio-dia, bandidos e seguranças de um carro forte da Protege trocaram tiros por cinco minutos na Vila Joaniza, na zona sul, na frente de uma agência do Bradesco. Duas famílias que passavam de carro pela via foram obrigadas a servir como motoristas para parte da quadrilha fugir. Ninguém foi preso.Na madrugada, ladrões levaram um caixa eletrônico de uma agência do Itaú, no Jardim D?Abril, em Osasco, na Grande São Paulo, e fugiram num ônibus. Já durante o dia, por volta das 10h30, criminosos invadiram uma agência do Banco do Brasil na Avenida Inconfidência Mineira, em Itaquera, zona leste. Houve perseguição e tiroteio. Um gari levou um tiro e passa bem. Oito pessoas foram detidas. Elas estavam com pistolas, revólveres, metralhadoras e granadas. Meia hora depois, assaltantes atacaram um banco na região do Ipiranga, zona sul. Os quatro homens armados roubaram malotes de um carro-forte e conseguiram fugir. O Clube Sírio, na Avenida Indianápolis, na zona sul, também foi alvo de criminosos pela manhã. Vinte homens armados com fuzis, pistolas e metralhadoras levaram R$ 53 mil de dois caixas eletrônicos. Segundo a Polícia Militar, os assaltantes quebraram o cadeado do portão e dominaram os vigilantes. Funcionários foram presos nos vestiários. Alguns ainda foram ameaçados com armas de fogo.Segundo a PM, os criminosos roubaram uniformes dos funcionários para passarem pela portaria. Enquanto a ação ocorria dentro do clube, outro integrante do bando monitorava a área em uma motocicleta. Eles entraram nos caixas com a ajuda de uma maçarico e fugiram em um Mercedes roubado.REFÉNSUm dos ataques mais violentos, que deixou a população aterrorizada, ocorreu na Vila Joaniza, zona sul. Uma quadrilha formada por dez homens conseguiu entrar numa agência do Bradesco após dois integrantes do bando se passarem por agentes da Polícia Federal. O tenente da PM Marcelo Severo explicou que dois suspeitos mostraram uma carteira funcional ao vigia do banco para não passar pelo detector de metais.Em seguida, os suspeitos disseram que iriam vistoriar as armas de dois vigias e, ao pegá-las, conseguiram tirar a munição de ambas. Para o tenente, a ação foi bem planejada. Os criminosos dominaram a gerente e alguns funcionários dos caixas, enquanto o banco funcionava normalmente. "Nenhum cliente que estava lá percebeu que acontecia um roubo."Na hora da fuga, porém, funcionários da Protege chegaram para entregar um malote e perceberam a ação dos bandidos. De acordo com o tenente, do lado de fora da agência parte do bando começou a atirar contra o carro-forte. Todos os criminosos fugiram, levando uma quantia não revelada.Um vendedor de 30 anos, a mãe dele de 53, e sua sobrinha, um bebê de 3 meses, passaram de carro pela área, durante o tiroteio. E foram surpreendidos por dois homens de terno e gravata, que pediam socorro no meio da rua. "Achei que eram pessoas querendo se proteger dos tiros. Quando os dois entraram no meu carro, mandaram eu tocar para a Marginal."Assustada, a mãe do vendedor abraçou o bebê e implorou para descer do veículo. O pedido foi negado pelos assaltantes, que carregavam um saco preto, possivelmente com dinheiro do banco. O vendedor dirigiu 50 minutos da zona sul até a Ponte da Freguesia do Ó, na zona norte, onde os suspeitos pediram para descer. "Eles falavam o tempo todo pelo celular. E se referiam uns aos outros com palavrões. Foi o pior dia da minha vida." Outro motorista também foi tomado como refém, mas preferiu não comentar o caso. Já o cliente Alexandre Souza viu de dentro do banco o carro da família, onde estava a mulher e o filho de 2 anos, levar pelo menos 10 tiros. "Não sabia o que tinha acontecido, deu desespero." Mas ela conseguiu dar ré e levar o veículo para um trecho protegido. Ninguém foi ferido.

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