SP tem disputa sem programa de governo

Promessas feitas por Alckmin e Mercadante durante visitas ao interior do Estado apresentaram ideias específicas para as regiões em que estavam

Roberto Almeida, Adriana Carranca, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2010 | 00h00

Desde o dia 6 de julho, data de início da campanha de rua, os principais candidatos ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT), adotaram como estratégia "lançar" promessas casadas com as regiões que visitavam, em vez de apresentar um programa de governo consolidado.

Mercadante seguiu a orientação do seu mentor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e divulgou seu programa de governo em doses homeopáticas, criando um "fato" a cada lançamento. Organizado em treze eixos principais, a proposta, publicada na última sexta-feira, dita em linhas gerais o que pode ser um eventual governo do petista em São Paulo.

Depois de encontros com militantes e correligionários para discutir cada área, foram elaborados cadernos, lançados um a um, em cada região. Os eventos, combinados com carreatas, caminhadas e corpo a corpo com eleitores, garantiram exposição na mídia local.

Foi assim no dia 9 de julho, em Bauru, onde Mercadante aproveitou a vocação ferroviária da cidade para "lançar" a ideia de um trem de alta velocidade entre Campinas e Sorocaba, Bauru, Ribeirão Preto e Rio Preto. "Não entramos em um nível de detalhamento do programa porque o que interessa não são números, como quantas clínicas ou escolas ou o que seja", afirmou o presidente do PT paulista, Edinho Silva.

Sob a mesma estratégia, mas do lado tucano, Alckmin preteriu o lançamento de seu programa de governo e apostou em assumir, de cidade em cidade, compromissos com o eleitorado local.

Foi assim no dia 1º de setembro, em Guarulhos, onde Alckmin "lançou" o compromisso de construir uma nova linha de trem da capital até o centro da cidade, na Grande São Paulo. Em seguida, o tucano reiterou as propostas na internet, em seu site oficial, e também nos programas de TV.

Seu único documento oficial é o que foi protocolado na Justiça Eleitoral ainda no início da campanha, com "diretrizes". Ontem, o tucano prometeu publicar um programa de governo completo na internet em um prazo de "24 a 48 horas".

"Está praticamente pronto. Estou procurando revisar item por item", avisou Alckmin. "Procuro fazer as coisas de maneira muito factível, que dê para cumprir, para chegar lá."

O presidente do Instituto Ethos e fundador do Movimento Nossa São Paulo, Oded Grajew, prepara um mecanismo legal para que se faça na Justiça a cobrança das promessas dos candidatos. "Faz parte da cultura política brasileira e de uma estratégia eleitoral de tentar captar os votos e geralmente o que acontece é que depois das eleições tudo se apaga."

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