SP tem receita recorde, mas mantém subsídio

Secretário fala em reajustar a passagem em 1.º de janeiro, mas aceita agora pagar 7% a mais para viações

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

14 de abril de 2009 | 00h00

A venda de passagens de ônibus e de peruas, incluindo as recargas de créditos do bilhete único e os vales-transporte comprados por empresas, geraram no primeiro trimestre uma arrecadação recorde à São Paulo Transporte (SPTrans). E o valor repassado dos subsídios - o pago às empresas pelas gratuidades - aumentou: foram repassados este ano R$ 208 milhões às dez viações da capital até o dia 12; no mesmo período de 2008, foram R$ 148 milhões.Questionado sobre a tarifa, o secretário de Transportes, Alexandre de Moraes, afirmou ontem na Câmara que já está definida a data do reajuste - desde novembro de 2006 não há aumento. "A tarifa a R$ 2,30 tem validade até o dia 31 de dezembro. No dia 1º de janeiro, haverá o aumento", respondeu aos vereadores, sem adiantar valor. Na avaliação de técnicos da SPTrans, o aumento nas vendas de créditos e os R$ 600 milhões em subsídios previstos para o ano devem segurar a tarifa a 2,30. O governo também ofereceu às empresas de ônibus a possibilidade de 7% de reajuste sobre o valor médio pago por passageiro transportado, que hoje varia de R$ 1,60 a R$ 1,65. Se o acréscimo for ratificado, as empresas devem receber R$ 300 milhões a mais pelas 2,850 bilhões de viagens previstas. A venda recorde de créditos pela SPTrans ocorreu entre janeiro e março, num total de R$ 649.993,381, quase R$ 133 milhões a mais do que o obtido no mesmo período do ano passado. Mesmo com a demanda de passageiros inalterada, o crescimento nas vendas foi de 20,73%, em comparação com o primeiro trimestre de 2008, quando foram obtidos R$ 516.977.056. Segundo Moraes, isso ocorreu por três motivos: o combate às fraudes dentro das cooperativas, sazonalidade (o carnaval em fevereiro represou demanda para março) e a restrição ao uso do bilhete único sem crédito, que coibiu as antigas fraudes. "Tivemos um aumento das catracadas, mas não da demanda (do número de passageiros)", afirmou.Só em março deste ano, a SPTrans obteve R$ 248,16 milhões em vendas de créditos, o maior volume da história da conta sistema. No mesmo mês do ano passado, porém, a arrecadação foi de R$ 180,66 milhões. A diferença entre os dois meses ilustra a mudança que entrou em vigor no dia 29 de março de 2008, quando o usuário passou a ser obrigado a fazer uma recarga mínima de quatro tarifas após os créditos do seu bilhete esgotarem. A demanda do sistema, contudo, se manteve na média de 215 milhões de viagens por mês. "O governo criou um sistema para permitir pagar a conta do empresário de ônibus à vista. Hoje, quando o usuário compra créditos que ele só vai usar no fim do mês, o dinheiro já está na conta da SPTrans e pode ser repassado às viações. Com isso o governo tem muito mais fluxo de caixa", observou Luis Antonio Festino, diretor do Sindicato dos Motoristas e Cobradores, entidade que está em campanha salarial. Os motoristas, por isso, pedem reajuste de 6% a partir de 1º de maio.ATRASOProcurado, o Sindicato Patronal das Viações (SPUrbannus) argumentou que o acréscimo de R$ 130 milhões na venda de créditos da SPTrans não significou aumento de repasses para os empresários. A entidade diz que as viações ainda estão recebendo créditos referentes aos meses de novembro e de dezembro. Na conta sistema do governo municipal, ainda não estão disponíveis os dados fechados com os repasses para os empresários em todo o trimestre.Francisco de Mola Neto, o China, principal líder dos perueiros em São Paulo, considera que os R$ 600 milhões em subsídios serão insuficientes para a manutenção da tarifa. Sobre o aumento na arrecadação da SPTrans com venda de bilhetes, o líder dos perueiros disse que o combate às fraudes obrigou as cooperativas a comprarem mais créditos. "Era de 20% o volume de fraudes que imaginávamos no sistema. E foi esse o crescimento da venda de créditos com a instalação das câmeras dentro dos carros."

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