SP tem só 29,5 km de ciclovias

Há 51,7 km sem previsão de entrega; melhores vias ficam em parques

Rodrigo Brancatelli e Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

15 de janeiro de 2009 | 00h00

Pouco mais de dois anos depois da criação de um grupo destinado a pensar o uso da bicicleta em São Paulo, a maior cidade do País continua tendo mais ciclovias em projeto do que construídas. A capital tem apenas 29,5 quilômetros de ciclovias (7 km na Avenida Inajar de Souza ainda não foram entregues) ante 625 km em Berlim, 379 km em Paris, 400 km em Amsterdã e 300 km em Bogotá e Copenhague. Em projeto, há 51,7 quilômetros, mas sem previsão de entrega à população. Pior: as melhores ciclovias paulistanas ficam em parques, que concentram 19 quilômetros (64,4% do total). Opine: é seguro andar de bicicleta na cidade de São Paulo?Os ciclistas se tornaram nos últimos anos os personagens mais penalizados da guerra diária travada no trânsito paulistano. Comparando números no período entre 2004 e 2007 da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), da Secretaria de Segurança Pública do Estado e do Instituto Médico-Legal (IML), as mortes de pessoas que andavam de bicicleta saltaram de 51 para 83, um acréscimo de 62,7%. No mesmo período, o número de mortes de pedestres aumentou 4,7%, o de motociclistas subiu 46,5% e o do motoristas caiu 2,8%.Ainda assim, a Secretaria Municipal de Transportes, responsável por políticas públicas que insiram com segurança o ciclista no trânsito de São Paulo, não revelou ontem novos dados sobre o problema. O órgão não divulga os números de morte no trânsito desde 2006. As estatísticas, segundo especialistas, ajudam a discutir melhorias e o desenvolvimento de programas de conscientização.O Estado publicou com exclusividade em setembro do ano passado o último levantamento sobre mortes no trânsito. Em 2007, exatas 1.566 pessoas perderam a vida no trânsito paulistano, um aumento de 5,3% em relação a 2006. Foram 736 pedestres, 281 motoristas e passageiros, 466 motociclistas e 83 ciclistas - para efeito de comparação, em todo o Reino Unido, morrem 8 pessoas por dia por causa do trânsito. Em Nova York, 0,7. DEFESAA ex-vereadora e candidata à Prefeitura, Soninha Francine, defende a construção de ciclovias e também a integração das bicicletas ao sistema viário da capital. "É um meio de transporte, está lá no Código de Trânsito Brasileiro, e ela precisa ser tratada como tal. Ao mesmo tempo, você não tem como colocar ciclovias na cidade toda", argumenta. Ciclista e motociclista, Soninha diz conhecer bem a "guerra" travada diariamente entre ônibus, carros, motos e bicicletas na Paulista. "A lógica seria ter os ônibus circulando à esquerda e as bicicletas à direita, ao lado dos carros. Não sei porque isso deixou de ser feito durante a reforma das calçadas e do canteiro central."Procurada ontem pela reportagem, a Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Transportes disse mais uma vez que não vai divulgar oficialmente os dados mais recentes que tenha sobre mortes no trânsito. Quanto aos dados do ano passado, a assessoria disse que eles não foram compilados ainda e que não há previsão para que se tornem públicos.

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