SP tem um dos finais de semanas mais tranqüilos da história

A cidade de São Paulo registrou neste final de semana um índice histórico na série de homicídios medida pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) desde o ano 2000. Das 20 horas de sexta-feira, dia 9, às 8 horas desta segunda-feira, a Polícia Civil registrou seis assassinatos na capital, dois duplos, totalizando oito vítimas. De acordo com o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Domingos Paulo Neto, este foi um dos finais de semana mais tranqüilos no município. "Desde janeiro não se tinha um final de semana com poucos assassinatos. O primeiro final de semana de janeiro teve oito registros de homicídios com oito vítimas. E essa queda atual mostra ser o final de semana com menor registros de crimes contra a vida desde o início do ano 2000", afirmou Paulo Neto.No ano 2000, a Polícia Civil registrou uma média de 51,1 assassinatos por final de semana. No ano seguinte, a média baixou um pouco, para 50,1 mortos por final de semana. As estatísticas do DHPP apontam queda contínua nos anos seguintes: 46,9 em 2002, 41,8 em 2003, 32,9 em 2004, 24,6 em 2005 e 18,8 no ano passado. De 2000 a 2006 a média baixou 64,1%.Como o DHPP não fazia este tipo de contagem antes do ano 2000, não é possível comparar os dados com anos anteriores. Mas pode ser que oito casos deste final de semana não ocorram desde antes de 1984. Isso porque no ano passado, foram registrados 2.056, enquanto em 1984 aconteceram 2.369 assassinatos na capital, números que não pararam de crescer, alcançando seu ápice em 1999, com 5.408. Notícias preocupantesMas ainda existem notícias preocupantes em relação à violência na capital. O crescimento dos casos de chacina nos primeiros dois meses deste ano é um sinalizador. Em janeiro e fevereiro, foram cinco casos na capital e mais três na Região Metropolitana de São Paulo. O total de ocorrências em dois meses já alcança um terço do registrado ao longo de 2005. Trinta pessoas morreram nas oito chacinas ocorridas este ano.A tendência de alta para os casos de homicídios múltiplos vem desde o ano passado. Os 21 casos registrados em 2006 representam um aumento de 40% em relação a 2005, que fechou com 15 casos. Foram mortas 76 vítimas no ano passado, enquanto no ano anterior morreram 55 pessoas. Esse crescimento no começo do ano levou à SSP deflagrar operações especiais nos finais de semana, com policiais enviados aos pontos mais violentos da capital.Neste ano, a tendência de queda dos homicídios se acentuou, segundo Paulo Neto. Nos três primeiros meses, a média foi de 14,5 vítimas por final de semana, contra 18,8, em 2006. Os crimes diários contra a vida também mostra grande diminuição. "No ano 2000, foram 14,6 homicídios por dia e 5,6 registrados em média no ano passado, uma diminuição de 71,4%", disse o diretor do DHPP.ExplicaçãoA explicação para as quedas, afirmou Paulo Neto, é o plano de combate aos homicídios, deflagrado em 2001, e o mais recente aumento do policiamento nos bairros com maior incidência de assassinatos nos finais de semana, como nos da periferia das zonas sul e leste. "Há integração da polícia especializada, o DHPP, com a polícia territorial, os distritos policiais, a PM, os conselhos de seguranças nos bairros e as sociedade amigos de bairro. Procuramos evitar a rotatividade dos policiais, que faz com que a população conheça todos pelo nome. Também quebramos a lei do silêncio com a implantação da cultura da prisão. Se o José mata alguém e continua no bairro, ninguém vai falar. Com o José preso, conseguimos informações e podemos prender também pessoas ligadas ao homicida", explicou o delegado, que citou ainda o aperfeiçoamento da investigação policial com investimento no setor de inteligência e tecnologia de informação como estratégia vital para a queda no número de homicídios. "Uma ação mais rápida e efetiva se traduz no aumento no número de prisões".

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