SP terá força-tarefa para investigar combustíveis

A criação de uma força-tarefa, com a participação de técnicos da Agência Nacional de Petróleo (ANP) da Secretaria da Fazenda de São Paulo, do Instituto de Criminalística e policiais civis, será a principal arma para combater a máfia dos combustíveis que age no Estado de São Paulo."Após o carnaval, vamos nos reunir com os representantes de vários órgãos que atuam no combate às fraudes fiscais e à adulteração dos combustíveis, com objetivo de se criar uma força-tarefa", informou nesta sexta-feira o promotor José Carlos Blat, que faz parte do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE). "Isso é necessário, pois os fraudadores sofisticaram seus métodos de falsificação e está difícil fazer um diagnóstico das fraudes."Blat explicou que até pouco tempo as adulterações eram feitas de maneira grosseira, permitindo notar a fraude logo após o abastecimento nos postos, pois os motores dos veículos começam apresentar falhas quase de imediato. "Agora, o sistema está sofisticado e os defeitos nos motores só começam a surgir com o passar do tempo, pois muitos fraudadores contrataram químicos que deixam a composição da gasolina adulterada semelhante ao combustível autorizado a ser comercializado", acrescentou Blat.A maioria das adulterações é feita com solvente, um derivado do petróleo. Segundo o promotor, isso dificulta uma avaliação superficial. Para diagnosticar a adulteração é necessária uma análise química mais detalhada. "Como existem poucos laboratórios em condições de realizar esse trabalho, necessitamos que os exames sejam realizados pelos especialistas da ANP para uma avaliação precisa da composição química do combustível."FlagranteNesta sexta-feira, equipes do Gaeco, da Secretaria da Fazenda de São Paulo, da Promotoria do Consumidor, do Instituto de Criminalística e da Polícia Civil lacraram judicialmente os tanques com 200 mil litros de álcool e solventes da Petrosilva Indústria e Comércio de Exportação e Importação Ltda., na Estrada Municipal, 217, no Tremembé, zona norte de São Paulo. "A fraude fiscal foi comprovada. Coletamos amostras dos combustíveis que serão enviadas à ANP para se saber se foram adulterados", disse Blat.O promotor foi informado que alguns depoentes na CPI dos Combustíveis da Assembléia estão recebendo ameaças de morte se continuarem fazendo denúncias a respeito das fraudes cometidas por distribuidoras e postos. "Os fraudadores movimentam milhões de reais com a sonegação de impostos e adulteração e, quando percebem que seus ´lucros´ correm o risco de serem reduzidos, ficam desesperados e passam a ameaçar todo mundo", disse Blat. "Todas as pessoas que se sentirem coagidas devem procurar o Gaeco."

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