SP teve blecautes e falta de farinha

Habitantes faziam exercícios diários de defesa contra possíveis bombardeios de aviões

25 Agosto 2012 | 15h45

Os habitantes da cidade viveram dias de tensão durante a guerra. Quedas de energia abruptas durante a noite, falta de mantimentos básicos como farinha e pão e exercícios diários de defesa contra possíveis bombardeios de aviões. Não, não se trata da Londres sitiada pela força aérea alemã ou muito menos das cidades japonesas na época da invasão americana. Esse era o dia a dia em São Paulo, a segunda maior cidade brasileira (então com 1,5 milhão de habitantes, pouco menos que o Rio) nos anos em que o País esteve em guerra contra as potências do Eixo.

"A guerra teve impactos fortes no cotidiano dos moradores da cidade", afirma o historiador Roney Cytrynowicz, autor do livro Guerra sem guerra: a mobilização e o cotidiano em São Paulo durante a 2.ª Guerra Mundial. O principal deles foi o psicológico. "Existiam muitas histórias em relação a planos de ataque na América do Sul. E havia os casos dos submarinos alemães que afundavam navios brasileiros. O conflito chegou até a costa e mobilizou a opinião pública, embora não tenha havido ameaça concreta de invasão", explica.

Segundo o historiador, os exercícios de blecaute eram diários e faziam parte de um sistema de defesa antiaérea civil, no qual os habitantes tinham funções definidas a executar no caso de um possível ataque. A dinâmica da guerra também bloqueou rotas comerciais e o tradicional pãozinho deixou de ser fabricado por causa da falta do trigo, que vinha da Argentina. "Ficou famoso na época o chamado ‘pão de guerra’, que era feito de farinha de milho e era duro e escuro. A população não gostava."

O engajamento da população era incentivado pelo presidente Getúlio Vargas, que via o esforço de guerra como forma de aumentar a popularidade do governo. Desfiles militares eram comuns e o contato com os soldados da FEB, incentivados - havia campanhas para o envio de cartas de apoio, cigarros e até roupas de lã para os pracinhas que estavam na Europa. / EDISON VEIGA e RODRIGO BURGARELLI

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