SP vai gastar R$ 1,5 mi em reforma de planetário

Obra no Parque do Carmo será realizada sem acordo com a Telefônica, que construiu e doou espaço; Prefeitura vai mandar conta à empresa

Daniel Gonzales, O Estadao de S.Paulo

28 Outubro 2008 | 00h00

A Prefeitura abre hoje uma licitação na qual vai gastar R$ 1,51 milhão dos cofres municipais para praticamente reconstruir todo o prédio do Planetário do Carmo, na zona leste de São Paulo. O local está fechado ao público, por causa de sérios problemas estruturais, desde fevereiro de 2007. A Telefônica, empresa que ergueu o prédio e o doou à cidade, em dezembro de 2005, "recusou-se" a assumir a reforma, segundo a Secretaria Municipal de Verde e Meio Ambiente (SVMA), depois de uma tentativa de entendimento com a administração municipal que durou um ano e meio. Mas o governo municipal promete ir além e, depois dos trabalhos concluídos, enviar a conta para a multinacional pagar, possivelmente por via judicial. A empresa, por sua vez, informa que sua responsabilidade pela obra "ocorreu até o momento da doação do bem e a conservação não seria sua atribuição". A Telefônica chegou a contratar uma empresa de engenharia que, em novembro do ano passado, apresentou um laudo mostrando a necessidade de reformas. "Todas as partes envolvidas ainda discutem a melhor forma de conduzir os ajustes necessários para a reabertura desse importante bem público", informou a empresa. O planetário, que custou R$ 11 milhões, operou por apenas 13 meses, porque a estrutura do edifício se deteriorou e já na época do fechamento estava cheia de rachaduras e bolhas nos pisos e paredes, mofada pela umidade e enferrujada. Hoje, a situação é ainda pior e, de acordo com o prefeito reeleito Gilberto Kassab, "não dá mais" para o edifício ficar fechado. No centro da cúpula, que terá parte da estrutura de concreto reconstruída e impermeabilizada, de acordo com o edital da reforma obtido pela reportagem, está o projetor alemão de última geração Universarium Zeiss VII, o mais moderno do País. Comprado por R$ 15 milhões, em 1996, na administração do ex-prefeito Paulo Maluf (PP), o equipamento hoje é ligado uma vez por semana, para que não estrague por causa da falta de uso. No restante do tempo, toda a parte de lentes, sistemas de computador e projetores auxiliares fica coberta por lonas. Técnicos da empresa ótica responsável pela manutenção do aparelho já deram o sinal de alerta porque as peças são extremamente sensíveis à umidade que toma conta do prédio e há diversas goteiras na cúpula. "Elas podem se estragar com facilidade", diz um deles, para quem "é uma grande pena" o equipamento, semelhante ao do planetário de Nova York (EUA), ficar parado. Além da reforma da cúpula e da cobertura metálica, o edital da concorrência que será lançada hoje prevê a correção das vias vizinhas (incluindo os acessos e o estacionamento dentro do parque, que também está cheio de rachaduras), serviços elétricos e hidráulicos, recuperação de sistemas de captação de água pluvial, compra de andaimes e locação de gruas. A reforma deve durar 120 dias.

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