STF aprova extradição de Abadía; Lula dará palavra final

Condição imposta pelo tribunal é de que EUA transformem possível pena de morte em prisão por 30 anos

Felipe Recondo, O Estado de S. Paulo

13 de março de 2008 | 16h05

O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou, nesta quinta-feira, por unanimidade, pedido de extradição do megatraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía para os Estados Unidos, onde ele responde a processo por lavagem de dinheiro, conspiração para o tráfico internacional de cocaína e homicídio. A decisão do STF não é definitiva, pois caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva dar a palavra final sobre o assunto.   VEJA TAMBÉM Foragidos internacionais presos no Brasil   O STF, ao conceder a extradição, impôs a condição prevista na Constituição do Brasil de que uma eventual prisão perpétua ou pena de morte contra ele nos EUA seja transformada em prisão por 30 anos, pena máxima prevista na lei brasileira. Abadía foi preso em agosto do ano passado, em São Paulo, pela Polícia Federal. Ele é suspeito de mandar matar 15 pessoas nos Estados Unidos e trezentas na Colômbia. A fortuna do colombiano é estimada em R$ 3,4 bilhões.   Abadía havia proposto à Justiça brasileira um acordo pelo qual pagaria às autoridades brasileiras de US$ 30 milhões e US$ 40 milhões e seria extraditado para os Estados Unidos. A proposta dele foi rejeitada, mas o STF decidiu hoje extraditá-lo atendendo a um pedido da Justiça dos EUA. A decisão final sobre a extradição caberá ao presidente Lula pelo fato de Abadía estar sendo processo também no Brasil - por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, uso de documentos falsos e corrupção.   Análise de arquivos de computadores do megatraficante, apontado como um dos maiores líderes do narcotráfico colombiano, revela que o traficante, um dos homens mais procurados do mundo, não veio ao Brasil apenas para se esconder. Daqui, ele tinha total controle sobre as atividades do cartel de cocaína do Vale do Norte. Durante os três anos de esconderijo no Brasil, ele arrecadou US$ 70 milhões por mês, de acordo com dados registrados nos equipamentos.   As investigações mostram que Abadía também comprou muita gente no Brasil para não ser incomodado. O traficante afirmou em depoimento a promotores na Justiça Federal em São Paulo que ele e seus principais colaboradores sofreram cinco extorsões de policiais civis em 2007. Em anotações feitas pelo próprio traficante, estão valores, apelidos e nomes de alguns dos acusados de cobrar propina.

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