STF deve decidir em agosto se S. volta aos EUA ou fica no País

Menino de 9 anos é alvo de uma briga judicial entre a família brasileira e o pai norte-americano

Gustavo Uribe, da Agência Estado,

31 Julho 2009 | 11h43

O destino do caso S. Goldman, de 9 anos, deve ser decidido em agosto pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na quinta, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, negou o pedido da avó do garoto, para que ele fosse ouvido pela Justiça Federal, em Brasília. O pedido foi impetrado pela avó materna do menino, Silvana Bianchi Ribeiro, e tinha como objetivo reiterar a posição da família contra a volta do jovem para os Estados Unidos, onde deve morar com o pai, David Goldman.

 

A defesa da família brasileira do garoto alega que em pelo menos sete audiências S. teria revelado que tem preferência por ficar no Brasil. As gravações que provariam a tese dos advogados foram desconsideradas pela 16ª Vara Federal no Rio de Janeiro, para quem a criança deve permanecer com o pai americano.

 

O STF negou seguimento ao pedido por considerá-lo equivocado em face do objetivo buscado por Silvana. De acordo com Mendes, o habeas corpus tem apenas a natureza de proteger contra arbitrariedades no âmbito penal e processual. No caso em questão, não houve abuso de poder ou ilegalidade da Justiça em não considerar as gravações apresentadas pela defesa. O ministro ainda acrescentou na decisão que o inconformismo da avó em face da decisão em instância inferior deve ser apresentado por outros meios jurídicos.

 

S. protagoniza uma batalha judicial pela sua guarda. A mãe biológica do garoto, a brasileira Bruna Bianchi, deixou os Estados Unidos levando o garoto consigo em 2004, onde morava com o ex-marido David Goldman. No Rio, Bruna casou-se com o advogado João Paulo Lins e Silva. Em 2008, Bruna morreu e os avós maternos ficaram responsáveis pelo garoto. Desde o ano passado, o americano David Goldman disputa a guarda de S. com o padrasto brasileiro.

 

Liminar

 

A 16ª Vara Federal no Rio de Janeiro determinou a apresentação do menino ao Consulado Geral dos Estados Unidos na capital fluminense, em junho, mas liminar obtida pelo padrasto impediu o cumprimento da ordem. De acordo com a defesa, a separação de S. da família brasileira poderia prejudicá-lo. Até a decisão final, o menino permanece em território nacional. Procurado pela reportagem, o advogado da família brasileira de S., Sérgio Tostes, não retornou aos pedidos de entrevista. Os advogados de Goldman também não retornaram as ligações até as 20 horas.

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