Submarino que foi ao Titanic tentará achar caixa-preta

Nautile, que deve chegar ao Brasil em oito dias, tem capacidade de ir a até 6 mil metros de profundidade

Bruno Paes Manso, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

Levantar as condições meteorológicas e oceanográficas nas seis horas que se seguiram ao acidente com o Airbus A330-200, tempo suficiente para os destroços do avião repousarem no fundo do oceano. Com os dados sobre as correntes marítimas e submarinas nesse período, um software define a área na qual deve estar a caixa-preta, espaço a ser rastreado metro por metro pelos submarinos robóticos de última geração usados na busca do equipamento. "A chave para o sucesso é um bom mapeamento do local a partir de informações precisas sobre o que ocorria na região", diz o engenheiro José Ramos Duarte Jr., professor de sistema básico e avançado de Veículos de Operação Remota (ROV), usados para resgates em águas profundas, da Universidade Petrobrás. Acompanhe todo o noticiário sobre o casoO submarino Nautile, primeiro a chegar aos destroços do navio Titanic, em 1985, a mais de 3,5 quilômetros de profundidade abaixo da ilha canadense de Newfoundland, deve chegar ao Brasil em oito dias a bordo do navio de exploração Pourquai Pas. O equipamento, de propriedade do Instituto Francês de Pesquisas para a Exploração do Mar, tem capacidade para navegar a profundidades de 6 quilômetros. É o bastante para atuar na região da cordilheira dorsal meso-oceânica na qual os destroços do Airbus foram encontrados, a cerca de 1,2 mil km do Recife, com abismos que variam de 2 a 4 km. Ele vai ficar à disposição do núcleo de coordenação do Estado-Maior das Forças Armadas da França para atuar na operação.Pesando quase 20 toneladas, com 8 metros de comprimento e 3,8 metros de altura, o submarino Nautile carrega oxigênio suficiente para uma tripulação de três homens trabalhar por cinco horas. Dois braços mecânicos que se movimentam por sistemas hidráulicos de alta potência são encarregados de manipular os objetos encontrados. Esses sistemas também contam com ferramentas capazes de cortar fuselagens. Para localizar a caixa-preta (que na verdade é cor de laranja) em águas profundas e escuras, o submarino conta com um sonar na parte superior, tipo de radar submarino com capacidade para identificar objetos metálicos a um raio de 300 metros.Produzido pela empresa americana Perry Slingsby, esse modelo robótico está destinado principalmente a fins militares, como resgates de submarinos em pane, entre outras atividades. O Nautile atuou também nas buscas dos destroços do petroleiro Prestige, que em 2002 provocou desastre ecológico na Europa. Modelos alternativos, movimentados por controle remoto, com capacidade para navegar a profundidades de 4 km, são usados também em unidades de perfuração de empresas petrolíferas, como ocorre com a Petrobrás, que usa o equipamento a partir de contrato com empresas terceirizadas. A Assessoria de Imprensa da Petrobrás, contudo, negou que a empresa vá fornecer ajuda para o resgate da caixa-preta do avião.OTIMISMODuarte, que além de professor na Universidade Petrobrás é gerente-geral da RRC Robótica Submarina, parceira brasileira da Perry Slingsby, diz que os equipamentos da empresa serviram também para ajudar no resgate da caixa-preta do avião da TWA que explodiu sobre o mar minutos depois de sair de Nova York, em 1996. "Hoje a tecnologia é suficiente para permitir que essas buscas sejam bem-sucedidas", afirma Duarte.O otimismo não é compartilhado pelo professor Moacyr Duarte, da Comissão de Pós-Graduação e Pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Sonares não foram capazes de encontrar o helicóptero no qual estava o deputado Ulysses Guimarães. Encontrar a caixa-preta é missão quase impossível", disse, em entrevista à Rádio Eldorado.

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