Submarino só tem 3 semanas para rastrear o oceano

O francês Émeraude, de propulsão nuclear, é capaz de detectar a emissão dos sinais a grandes distâncias

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

O Émeraude, de propulsão nuclear, pode, sim, localizar a caixa-preta do avião. O plano é simples: submarinos desse tipo podem mergulhar na larga faixa que vai de 400 metros a 750 metros. A caixa afundou além desse limite, acreditam os peritos franceses, mas continua emitindo pulsos na frequência de 37,5 kHz a intervalos regulares, algo em torno de um segundo. Mas esse sistema só deve funcionar até o dia 1º.Submerso e livre das interferências externas, o Émeraude estará pronto para ativar um sofisticado sistema de escuta. Empregando a tecnologia e capitalizando peculiaridades do meio, como o transporte dos sons pela água, será possível fazer uma ampla varredura, contornando, de maneira virtual, o relevo montanhoso do fundo do mar. "Na suposição bastante provável de que os pibs sejam captados, o submarino indicará, com precisão, o ponto de descida do batiscafo, a sonda de profundidade que pode chegar ao local e realizar o resgate", afirma o especialista em operações de Engenharia em água profunda Caluxo Rocce, da empresa americana Diving Engineering.Há ainda um minissub a bordo da Fragata Ventôse, da França. O Nautile é operado por dois pilotos e um observador. Tem braços e pinças. Pertence ao Ifremer, o Instituto Francês de Pesquisas para a Exploração do Mar. Desde que entrou em atividade, em 1984, realizou cerca de 1,5 mil trabalhos de busca. O minissubmarino pode mergulhar a profundidade de até 6 mil metros. Foi assim que atuou no rastreamento dos restos do naufrágio do transatlântico Titanic, afundado em 1912.JOIASO Émeraude faz parte de uma classe de joias da Marinha francesa e entrou em serviço em 1983, com o Rubis. São os mais compactos navios do gênero. Submersos, deslocam 2.600 toneladas. Medem 73,6 metros e levam 62 tripulantes. A velocidade máxima é de 46 km/hora e o alcance é virtualmente ilimitado, graças à propulsão nuclear. Foram produzidas seis unidades, a última das quais, Perle, recebida em 1993. O símbolo do Émeraude é uma cigana dançando, referência à personagem Esmeralda, de O Corcunda de Notre Dame, de Victor Hugo. A participação no resgate dos destroços do AF 447 vai funcionar como uma espécie de prova real da tecnologia de casco e sistemas eletrônicos dos submarinos franceses. O governo brasileiro comprou quatro modelos Scorpéne, convencionais, diretamente derivados da classe Rubis. E vai receber o conhecimento sensível para projetar e produzir o corpo couraçado de um navio do mesmo tipo, com propulsão atômica. Um negócio de 7 bilhões.

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