Subprocurador diz que condenação da Liga da Justiça é marco

Dez integrantes foram julgados e condenados pela 1ª Vara Criminal; entre condenados estão ex-parlamentares

Talita Figueiredo, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2009 | 17h40

O subprocurador-geral de Justiça de Atribuição Originária Institucional e Judicial, Antonio José Campos Moreira, responsável pelo processo junto ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça contra integrantes da milícia "Liga da Justiça", disse considerar a condenação dos dez envolvidos "um marco". Entre os condenados estão o ex-vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, e seu irmão, o ex-Deputado Estadual Natalino Guimarães.  Veja também:Tarso Genro quer federalizar o combate às milícias no RioJustiça condena ex-parlamentares integrantes de milícia no RioSegurança do RJ tenta descobrir origem de vídeos de foragido Acusados de serem os líderes da quadrilha, os ex-parlamentares receberam pena de dez anos e meio de prisão. "Esse é um caso emblemático e marcante. A condenação do grupo mostra que o Ministério Público está atuando e atento no combate à criminalidade. Esta é um resposta do Poder Público à atuação das milícias no Estado", afirmou Moreira. A juíza da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, na zona oeste do Rio, Alessandra de Araújo Bilac Moreira Pinto, condenou o grupo por crime de formação de quadrilha. Na sentença, ela afirma que "os acusados associaram-se em quadrilha armada de forma estável e permanente, para o fim de praticar crimes, alguns de natureza hedionda (homicídios qualificados) implantando na zona oeste de nosso Estado um verdadeiro poder paralelo, por alguns denominado de milícia, desafiando as autoridades regularmente constituídas".  A juíza relatou ainda que a quadrilha "exigia de moradores de Campo Grande e redondezas o pagamento de regular contribuição em dinheiro com o pretexto de protegê-los da ação de criminosos" e que não hesitavam "em cometer crimes de extorsão, sequestros e até mesmo homicídios quando seus interesses eram contrariados".  Além de Natalino e de Jerominho, foram condenados o filho de Jerominho, Luciano Guimarães, o ex-policial Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, fugitivo de Bangu 8, e outros seis homens. O subprocurador-geral lembrou ainda que este foi o primeiro processo referente a milícias a ser julgado. Os réus sempre negaram o envolvimento com as milícias e devem recorrer da sentença.

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