Subsecretário de inteligência do Rio pede demissão

Uma crise na Secretaria de Segurança do Rio fez com que o subsecretário de inteligência e coronel reformado do Exército, Romeu Antônio Ferreira, entregasse o cargo, na quinta-feira, ao secretário de segurança, delegado federal Roberto Precioso. Ferreira considerou-se desacreditado quando soube da abertura de uma investigação para apurar o vazamento de notícias sobre a penúria que a sua subsecretaria está vivendo. Ele já se sentia desprestigiado com os constantes cortes de verbas orçamentárias, desviadas para áreas de maior visibilidade, como as Delegacias Legais.Oficialmente o secretário Precioso não comentou o caso. Sua assessoria disse desconhecer o pedido de demissão. Na verdade, a decisão sobre a saída do coronel caberá à governadora Rosinha Garotinho, provavelmente com o palpite de seu marido, o ex-governador Anthony Garotinho. Esta é a segunda passagem de Romeu pelos governos dos Garotinhos e nas duas ele saiu por conta de crises criadas em torno do seu trabalho. No governo de Anthony Garotinho (1999-2002)ele foi acusado pelo então coordenador da área de segurança, o sociólogo Luiz Eduardo Soares, de ter grampeado telefones do próprio Palácio Guanabara. A denúncia nunca foi provada e o coronel processou Soares.O subsecretário demissionário afastou-se da cidade neste fim de semana e evitou comentar o assunto. Ele teve dificuldade em algumas investigações, depois viu mais de R$ 1 milhão que deveriam ser investidos em equipamentos para a área de inteligência serem desviados para outras finalidades. Faltaram, inclusive, R$ 720 mensais (pouco mais de dois salários mínimos) para manter funcionando os 30 aparelhos NexTel usados pelos arapongas do ex-subsecretário. Com isto, ele foi obrigado a suspender todas as operações, evitando colocar em risco seus agentes.Oriundo dos serviços de inteligência do Exército, Ferreira começou a trabalhar em torno da violência urbana no Estado na Operação Rio, em 1995, quando o governo federal colocou o Exército trabalhando no combate à violência, na época da transição do governo do PDT (Leonel Brizola e Nilo Batista) para o do PSDB (Marcelo Alencar). A partir desta experiência, o coronel foi convidado por Marcello Alencar para criar o Centro de Inteligência de Segurança Pública (CISP), conseguindo, ao final de quatro anos, criar um arquivo de criminosos com mais de 80 mil nomes. Ele ainda permaneceu no cargo nos dois primeiros anos do governo Garotinho até se desentender com Luiz Eduardo, que acabou sendo demitido pelo governador meses depois da saída do ex-subsecretário.Foi o próprio Garotinho, porém, quem trouxe Ferreira de volta à Secretaria de Segurança Pública quando ele assumiu o cargo, no governo de sua mulher, na expectativa de dar uma resposta à crise de insegurança pela qual passava o Estado, no primeiro semestre de 2003. O coronel assumiu como subsecretário de inteligência e montou um sistema que hoje funciona com 15 agências e cerca de 200 órgãos de inteligência, formando a maior rede interligada de inteligência em segurança pública.

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