Subsecretário de Transportes de Niterói é morto a tiros

Adhemar José de Mello Reis, de 68 anos, foi vítima de 4 disparos quando saia de casa em carro oficial

Bruno Boghossian e Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

20 Janeiro 2010 | 16h01

Uma quadrilha acusada de forjar licenças para taxistas é suspeita de ter planejado o assassinato do subsecretário municipal de Transportes de Niterói, Adhemar José de Mello Reis, de 68 anos. Ele foi executado na manhã desta quarta-feira, 20, com quatro tiros quando ia para o trabalho em um carro oficial. Ele chegou em estado grave à emergência do Hospital Universitário Antônio Pedro e começou a ser operado, mas morreu horas depois.

 

De acordo com o delegado Luiz Antônio Businaro, da 76ª Delegacia de Polícia do Centro de Niterói, o subsecretário havia descoberto um esquema de falsificação e clonagem de licenças de mais de 50 táxis, e passou a investigar o crime em sigilo junto com a polícia. Uma quadrilha era suspeita de forjar documentos em cartórios para transferir ilegalmente as licenças de taxistas mortos e, em seguida, vendê-las.

 

A fraude está sendo apurada há cerca de três meses e, segundo o delegado, teria o envolvimento de funcionários da prefeitura. Niterói tem cerca de 1.900 táxis registrados. A permissão para táxis é uma concessão municipal, mas proprietários cobram mais até R$ 90 mil para transferir a licença no mercado paralelo, pois não há previsão para novas concessões de licenças.

 

A morte de Adhemar será apurada pela 77ª Delegacia de Icaraí, também em Niterói. O inspetor Jorge Tinoco informou que os policiais investigam a relação entre o crime e o esquema que teria sido descoberto pelo subsecretário, pois nenhum pertence da vítima foi roubado. No momento do crime, Adhemar estava diante de casa, na Rua Joaquim Távora, em Icaraí, bairro de classe média da cidade. Segundo a polícia, os tiros atingiram o para-brisa do carro e acertaram o subsecretário no tórax e no rosto.

 

A imagem de uma câmera de vigilância de um prédio próximo ao local do crime mostra um carro em alta velocidade segundos após o assassinato. "Estamos trabalhando para refinar estas imagens que são muito ruins e não trazem informações relevantes. Estamos em busca também de testemunhas, outras câmeras e radares que podem ter aplicado multa por excesso de velocidade no carro dos criminosos", informou o inspetor.

 

O policial negou a informação de que um suposto dossiê do subsecretário tenha desaparecido logo após o crime. A prefeitura de Niterói informou que o motorista do carro oficial foi a única testemunha do crime. Ele não foi atingido pelos tiros, mas ficou em estado de choque.

 

Segundo o diretor de comunicação da prefeitura, Mário de Souza, o subsecretário não andava com seguranças porque era visto como um homem cordial e acessível. "Adhemar era conhecido como um diplomata. Ele não andava com seguranças e, aparentemente, não tinha problemas com ninguém", disse.

 

Texto atualizado às 20h05.

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