Subsecretário vai à Rocinha ouvir queixas contra violência

O subsecretário de Segurança Pública, Marcelo Itagiba, percorreu durante uma hora as vielas da Rocinha, na zona sul da cidade, e ouviu relatos de moradores sobre abusos que teriam sido cometidos por policiais militares em incursões do Batalhão de Operações Especiais (Bope). No último dia 8, uma mulher morreu e quatro pessoas ficaram feridas num confronto entre PMs e traficantes. Em janeiro, um rapaz de 16 anos foi morto quando soltava pipa sobre uma laje.?À noite todos os gatos são pardos?, disse Itagiba ao ser perguntado por um morador se via cabimento nas incursões noturnas do Bope. ?À noite as coisas são mais escuras e temos que entrar com melhor qualidade. E a tropa que tem melhor qualidade para incursionar em qualquer lugar é o Bope?, afirmou.A visita de Itagiba à favela foi negociada depois de duas reuniões com lideranças comunitárias para discutir o policiamento na Rocinha. Os moradores dizem que não são contra as incursões, mas pedem o que chamam de ?policiamento justo?. Eles estão programando um baile da paz, que será realizado durante o carnaval. Os foliões se vestirão de branco.?A Rocinha passou por nove anos de paz e desde que as ações policiais começaram está tudo desestabilizado?, afirma opresidente de uma das associações de moradores Sebastião José Filho. ?Outro dia a PM parou os mototáxis e apreendeu 30motocicletas irregulares. A população aplaudiu. Agora, quando a imprensa vai embora, eles cobram pedágio dos mototaxistas,que continuam rodando mesmo se estivessem ilegais. Isso é que não pode?.Moradores dizem que tiveram de mudar a rotina depois das incursões constantes. ?É só ouvir fogos, que todo mundo já deitano chão. Agora penduro as roupas na janela, nem vou à laje para evitar bala perdida. Combinei com minha família e agora meus filhos não ficam sozinhos em nenhum momento do dia. A nossa vida se resume agora em tensão e medo?, diz a diretora de uma associação de moradores, Cláudia de Oiveira, de 30 anos.De acordo com Itagiba, as ações da PM foram para inibir uma suposta guerra entre traficantes, que estaria prestes a ocorrer.Durante a visita à favela, o subsecretário viu fachadas perfuradas de bala, cumprimentou moradores, leu faixas com pedidos de paz e foi à casa da professora Regina Célia Rodrigues de Moura, morta no último dia 8. Na entrada de casa, uma seta emvermelho apontava para um buraco na parede, ao lado da inscrição ?bala perdida?.A visita antecedeu uma avaliação técnica que o inspetor-geral de Polícia, coronel João Carlos Ferreira, fará por determinaçãoda Secretaria de Segurança. Programado para os próximos dias, o estudo permitirá ao inspetor analisar se houve ou não errodos policiais do Bope.

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