Subsídio dos EUA à soja faz preço cair em 7%

Os subsídios do governo norte-americano aos produtores agrícolas provocaram uma queda de cerca de 7% nos preços mundiais da soja nos últimos quatro anos.A avaliação, resultado de um estudo econométrico encomendado pelo governo brasileiro e de análises de economistas dos próprios Estados Unidos, servirá de base para uma consulta formal que o País pretende fazer à Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as ações dos últimos anos e a nova Lei Agrícola norte-americana (Farm Bill).Segundo o coordenador-geral do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Sávio Pereira, o estudo foi necessário em razão da dificuldade do Brasil em provar que a depressão nos preços se deve aos subsídios, visto que, apesar da redução dos preços, houve aumento da produção mundial de soja."O levantamento diagnosticou que os subsídios causaram depressão de cerca de 7% nos preços da soja", disse Pereira, durante o 2º Congresso Brasileiro de Soja, que termina nesta quinta-feira em Foz do Iguaçu. Segundo ele, entre 98 e 2001 o preço mínimo norte-americano variou de US$ 193 a US$ 202 a tonelada.Enquanto isso, o preço de mercado caiu fortemente, variando entre US$ 160 e US$ 165 a tonelada - em 97, havia chegado a US$ 250. "Em razão dessa diferença de aproximadamente US$ 33 por tonelada recebida como subsídio pelo produtor norte-americano, eles continuaram a produzir safras recordes", apontou. "O desequilíbrio no mercado deprime os preços e afeta o produtor brasileiro, que passa a receber menos pelo que produz."Somente no ano passado, teriam sido injetados US$ 3 bilhões como subsídios, o que equivale a 60% da exportação brasileira do complexo soja. No caso brasileiro, onde também houve aumento de produção, Pereira diz que se deve à economia internacional, que levou à desvalorização cambial em 1999.Na Argentina, que repetiu a tendência mundial de crescimento na produção, a explicação é o avanço científico e a entrada da soja transgênica. Segundo o representante da empresa de sementes Nidera, Rodolfo Luis Rossi, isso teria garantido uma economia de aproximadamente US$ 5,5 bilhões em quatro anos e a expansão da lavoura em quatro milhões de hectares.Segundo o coordenador de Abastecimento do Mapa, apesar da redução do preço mínimo norte-americano de US$ 193 para US$ 183 a tonelada, a partir de setembro, quando a lei entra em vigor, a Farm Bill "mascara" a injeção de recursos na agricultura, pois o governo pagará US$ 16 por tonelada referente à produção do ano passado.Pela lei, sempre que o preço de mercado for inferior a US$ 183 a tonelada, o governo paga a diferença. Hoje, esse valor seria de US$ 13, que, somados aos US$ 16 de pagamento fixo, totalizam US$ 29 por tonelada, ou seja, 15% do preço atual.Nos compromissos assumidos com a OMC, os Estados Unidos têm o limite de US$ 19,1 bilhões anuais para utilizar como subsídio ao produtor. No entanto, Pereira argumenta que será possível uma interpelação por meio do Órgão de Solução de Controvérsias, porque os Estados Unidos não poderiam ter subsidiado uma commodity específica com valores superiores aos de 92. "Como naquele ano o subsídio era irrelevante - cerca de US$ 107 milhões -, eles ultrapassaram largamente", afirmou. "Quebrou-se a cláusula de paz."

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