Subsolo de conjunto libera gás inflamável

Imóveis se desvalorizaram e moradores têm medo de doenças

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

16 Agosto 2009 | 00h00

Os quase 5 mil moradores do Conjunto Habitacional Barão de Mauá, no município de Mauá, convivem com o perigo há nove anos, quando um vazamento de gases tóxicos no subsolo de um dos prédios provocou acidente que matou um operário e feriu outro gravemente, em 22 de abril de 2000. Na semana passada, o medo voltou. Uma nova medição de gases no local feita pela Cetesb apontou índice explosivo, segundo o professor Carlos Alberto Trupel, morador no local.A Assessoria de Imprensa da prefeitura de Mauá informou, em nota, que a gestão acompanha todas as atividades realizadas para a elaboração de um novo diagnóstico ambiental no condomínio. A coleta foi iniciada em abril pela empresa CSD-Geoklock e será encerrada no fim do mês. A administração municipal disse também que a contaminação no Barão de Mauá está "restrita a uma parte da área do condomínio"."A Justiça deu prazo de 180 dias, a contar de março, para se chegar a uma conclusão sobre o limite das contaminações existentes. É preciso chegar logo a um final dessa história. Ninguém aguenta mais. Nosso imóvel foi desvalorizado e corremos risco de vida, além de termos problemas de saúde que podem ter sido causados pela contaminação", reclama Trupel.Um relatório de dezembro de 2006, da própria CSD, mostrou que foram detectadas 450 mil toneladas de resíduos tóxicos e perigosos no subsolo do conjunto habitacional. As análises químicas da composição dos vapores extraídos do solo detectaram a presença de exatos 44 compostos orgânicos voláteis - entre os quais agentes cancerígenos, como benzeno, e compostos organoclorados (clorobenzeno e trimetilbenzeno), igualmente prejudiciais à saúde.A área de 160 mil m² foi utilizada na década de 1990 pela Cofap, empresa de autopeças para veículos, como depósito clandestino de resíduos tóxicos. O imóvel foi comprado pela Cooperativa Habitacional Nosso Teto, ligada à Paulicoop Assessoria a Cooperativas Habitacionais. Foram construídos 46 prédios residenciais. Na época, diagnósticos que mostravam inexistência de contaminação foram aprovados pela prefeitura de Mauá.

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